Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/06/2021

Sabe-se que o Brasil vivencia um aumento exacerbado no índice de jovens e adolescentes com idade entre 13 e 19 anos que estão vivenciando a gravidez precoce. De acordo com o DataSus, uma a cada cinco crianças nascidas no Brasil é filha de adolescentes entre 10 e 19 anos. Isso ocorre, principalmente, pela precariedade na educação sexual e pelo desconhecimento dos métodos contraceptivos. À medida que as responsabilidades vão chegando, consoante o avanço da gestação muitas deixam a escola para que possam cuidar dos filhos e não retornam.

Dessa forma, o crescimento no número de adolescentes grávidas está relacionado diretamente com a dificuldade de inserção da educação sexual nas escolas, visto que os jovens e adolescentes passam a maior parte do seu dia e da sua vida no ambiente escolar. Além disso, o desconhecimento sobre métodos contraceptivos e as infecções sexualmente transmissíveis, torna-se uma variável preocupante quando se pensa na quantidade de jovens que pensam que, por exemplo, a camisinha previne apenas gravidez. Mas, na realidade, a camisinha também é utilizada para prevençao da transmissao das ISTs, algumas tratáveis e curáveis como a sífilis, outras apenas trataveis e sem cura até hoje como o HIV.

De acordo com o IPEA, 76% das adolescentes que engravidam abandonam as escolas. Assim, a evasão escolar é um ponto a ser analisado com bastante cautela, já que a maioria não retorna para a conclusão do colegial. Desse modo, sem a conclusão da grade escolar, a dificuldade de ingresso no mercado de trabalho é um grande problema, tendo em vista que, essas consequências estão intimamente ligados com a má qualificação profissional e aos salários não condizentes com o trabalho exercido.

A fim de reduzir as taxas de gravidez na adolescência, o MEC deve inserir na matriz curricular a educação sexual desde o ensino fundamental II, com aulas, palestras, eventos educacionais com níveis progressivos de abordagem de acordo com a série escolar. Deve-se também investir em escolas-creche para que as adolescentes possam ir a escola e ter onde deixar seus filhos durante o período de aula, assim, poderiam assistir as aulas e não haveria quedas no rendimento estudantil. Desse modo, além de previnir que o indíce de jovens gravidas cresça, também pode-se atender as jovens que já tiveram ou terão seus bebês durante o colegial, evitando a evasão escolar.