Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 03/07/2021

Em “Girl From Rio”, música da brasileira Anitta, é retratado o Rio de Janeiro a partir da visão da cantora. No trecho “Bebês tendo bebês como se isso não importasse”, a artista expõe a naturalização da gravidez na adolescência pelos cariocas. Nesse âmbito, percebe-se a configuração de um grave empecilho que se expande por todo o Brasil, em virtude da escassa atuação do Poder Público e do pensamento da sociedade.

É fulcral pontuar, inicialmente, que os aspectos governamentais fazem o problema perdurar. Diante disso, o chanceler Otto Von Bismarck, em 1880, afirmou que o Estado deve promover o bem-estar social dos cidadãos. Entretanto, poucos recursos são destinados à instrução dos jovens acerca da sexualidade, a exemplo do baixo incentivo ao uso dos preservativos, somado ao baixo ensinamento acerca das consequências advindas da gravidez na adolescência. Nesse sentido, percebe-se uma falha grotesca da função do Estado com o ideal de Bismarck, haja vista o aumento do número de grávidas menores de 20 anos sem instrução suficiente dos riscos sociais -preconceito- e biológicos -ruptura do colo do útero, por exemplo- trazidos pela gravidez precoce. Nesse âmbito, é imprescindível que o bem-estar seja alcançado, a partir de medidas estatais.

Outrossim, evidencia-se a mentalidade social como um dos agravantes do impasse. Isso se dá, hodiernamente, porque para os pais, em grande parte, ainda é um tabu conversar com os filhos sobre sexualidade, devido a acreditarem que falar sobre essa temática incentiva o ato sexual. Lamentavelmente, por não terem sido educadas de maneira correta, as adolescentes grávidas, muitas vezes, abandonam os estudos e passam a cuidar da criança e, por conseguinte, corroboram o aumento do índice de evasão escolar no Brasil. Ante o exposto, o filósofo John Locke, no seu livro “Ensaio”, compara o ser humano com uma “folha em branco”, a qual será preenchida com conhecimento por meio dos sentidos e das experiências de cada sujeito. Analogamente, percebe-se a importância da educação sexual, visto que, segundo o autor, as informações ajudam a moldar o indivíduo.

Tornam-se mister, portanto, medidas exequíveis para resolver o entrave. Logo, cabe ao Governo Federal, instância máxima de poder, por meio dos royalties de petróleo do pré-sal, criar uma série de vídeos para as escolas e para a mídia televisiva. Desse modo, a ação será concretizada mediante curtas animações -chamadas de “100 Gravidez”-, sobre as cem consequências e as cem formas de prevenir a gravidez na adolescência, de modo que adolescentes gestantes não seja mais uma realidade no país “verde-amarelo”. Assim, “bebês tendo bebês” não será mais naturalizado, assim como a cantora Anitta critica em sua música “Girl From Rio”.