Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/07/2021

A obra “Utopia”, de Thomas More, retrata uma sociedade ideal, a qual o corpo social estabilizou-se pela ausência de conflitos. Entretanto, nota-se que tal população, retratada por More, difere totalmente da realidade vivenciada pela nação brasileira contemporânea, já que a gravidez na adolescência, evidenciada no Brasil, caracteriza-se como um grave problema para a comuninadade. Nesse contexto, é imprescindível discutir  sobre a negligência do Estado frente à gravidez precoce e suas consequências,  a fim do pleno funcionamento da sociedade.

A princípio, cabe pontuar um dos agentes desta problemática : o Estado. Haja vista que, em decorrência do deficitário sistema educacional, o qual não se discute frequentemente com os jovens acerca da educação sexual e do planejamento familiar, as meninas, principalmente, de baixa renda, estão passíveis de engravidar na adolescência, o que, de certo modo, pode afetar a formação acadêmica e a saúde dessas. Nesse viés, convém trazer a citação de Paulo Freire - filósofo brasileiro - a qual menciona : " Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda", posto que se relaciona completamente com a temática supracitada, onde o papel das escolas, formadoras de opinião, é crucial para a diminuição da gravidez precoce na comunidade brasileira. Logo, as autoridades devem implementar medidas que coíbam essa mazela.

Ademais, é pertinente mencionar o quanto a gravidez na adolescência impacta na qualidade de vida das jovens. Quanto a esse fator, cabe citar o documentário brasileiro “Meninas”, que retrata as principais causas e consequências de uma gravidez precoce na periferia do Rio de Janeiro. Tendo em vista que essa realidade é vivenciada por diversas garotas que engravidam na adolescência, onde, mediante o preconceito social sofrido por essas, a evasão escolar se torna uma opção, que, muitas das vezes, estão suscetíveis à perda de oportunidades ao longo de sua tragetória, como a dificuldade de se inserir no mercado de trabalho, além de afetar a saúde física e psíquica dessas. Diante dessa questão, o Estado tem poder e deve agir em prol da mudança desse quadro.

Portanto, atitudes para reversão deste problema são de extrema necessidade. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, grande poder transformador, aprimorar o estudo sobre a educação sexual e o planejamento familiar nas instituições de ensino, em função de sua importância, por meio de palestras e debates com especialistas no assunto, que, sobretudo, devem abordar tanto as causas quanto as consequências dessa problemática, com o intuito de que a gravidez precoce seja evitada no Brasil. Feito isso, será possível a construção de uma sociedade harmônica que aproxima-se da idealizada por Thomas More.