Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/07/2021

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Brasil, a cada mil meninas de 15 a 19 anos nascem em média 68,4 bebês, índice superior à média latino-americana e à mundial. Tal disparidade é originária da ignorância a respeito do uso de métodos contraceptivos e dos impactos da gravidez precoce nas adolescentes, que têm suas vidas marcadas por responsabilidades desproporcionais a sua idade. Esta questão causa, portanto, prejuízos ao desenvolvimento psicológico das adolescentes e o aumento de casos de gravidez de risco, uma vez que estas ainda estão em fase de desenvolvimento físico, psicológico e social.

A priori, no livro “Cem anos de solidão”, de Gabriel Garcia Marques, o autor retrata Remedios, personagem que engravida logo após sua primeira menstruação e, posteriormente, falece no parto devido a uma gravidez de risco. Fora da literatura, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a mortalidade materna é uma das principais causas de morte das adolescentes no Brasil. Haja vista a falta de informação a respeito de métodos contraceptivos para estas mães que, assim como Remedios, tiveram suas vidas perdidas pela ignorância a respeito de um tema que deveria ser mais enfatizado na sociedade.

Além disso, a adolescência constitui uma fase de autoconhecimento, transformações físicas e psicológicas. Logo, os impactos da gravidez precoce àquelas adolescentes que tiveram gravidez e partos bem sucedidos são extremamente prejudiciais a seu desenvolvimento. Visto que a gravidez na puberdade não requer somente mudanças emocionais inerentes a esta fase, mas também exige maturidade psicológica, biológica e econômica para atender as necessidades deste período.

Para a resolução da questão da gravidez na adolescência no Brasil, será necessária, pelo Ministério da Educação, o ensino da educação sexual nas escolas, com a implementação desta à grade curricular padrão. A fim de democratizar o conhecimento a respeito de métodos contraceptivos e da dimensão dos possíveis prejuízos da gravides precoce, que atenuará o volume de adolescentes gestantes e, consequentemente, o número de mortes maternas no Brasil.