Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/07/2021
O documentário “Meninas” apresenta a história de quatro adolescentes que possuem baixa renda e tiveram seus planos de vida modificados pela chegada de um filho. Hodiernamente, a gravidez precoce ainda é um problema constante, visto que, o Brasil tem a sétima maior taxa de gravidez adolescente da América do Sul, de acordo com dados do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), referentes ao período de 2006 a 2015. Isso ocorre tanto pelos os casamentos infantis quanto pelo forte desejo pela maternidade com expectativa de independência.
De início, entende-se que o casório infantil é um fator crucial para a existência do entrave na sociedade, porque desde a Grécia Antiga era habitual o casamento e a gravidez precoce. É notório, portanto, que esse problema não teve origem recentemente e esse fato lastimável ainda é presente no pensamento de algumas famílias. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se que o problema, lamentavelmente, já tornou-se cotidiano e a população habituou-se a ele. Assim, em virtude dessa alienação, a gravidez na adolescência persiste no corpo social.
Ademais, foi instituído pelo Governo Federal, através da Lei n° 13.798/19, a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na adolescência, que ocorre anualmente durante a primeira semana de fevereiro, com o objetivo de disseminar informações sobre à prevenção do início sexual precoce e da gravidez de crianças e adolescentes. De maneira análoga a isso, o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela afirmou “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Sendo assim, é evidente que a gravidez precoce, na maior parte dos casos, poderia ter sido evitada por meio da educação, uma vez que, os principais motivos desse acontecimento são a falta de acesso à educação sexual e métodos contraceptivos, a pobreza e o fato das jovens acreditarem que depois de grávidas vão criar autonomia, no entanto, muitas param de estudar, sofrem consequências físicas, psicológicas e sociais e podem ter complicações na gestação, incluindo mortalidade materna.
Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessária a adoção de medidas que venham diminuir a gravidez na adolescência em evidência no Brasil. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, conscientizar os jovens da gravidade dessa problemática, por meio de palestras, campanhas e debates nas escolas com psicólogos e profissionais da saúde, além de aulas de educação sexual, com o intuito de apresentar desde cedo os perigos de uma gestação precoce, para assim evitar complicações no futuro. Somente assim é possível que essa questão não seja considerada natural e que casos como no filme “Meninas” não aconteça mais.