Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 19/07/2021
Machado de Assis, sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu criticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem–se aspectos semelhantes no que tange a gravidez na adolescência no Brasil. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a desinformação acerca da educação sexual junto as condições de vulnerabilidade social de diversos jovens.
De início, a desinformação acerca da educação sexual é o principal fator da gravidez precoce, visto que deriva de uma crença equivocada das escolas junto às familias de que instruir os adolescentes sobre prevenção sexual pode encoraja-los a se tornar sexualmente ativos Segundo Pierre Sourdieu, em sua teoria “Habitus”, toda sociedade incorpora os padrões sociais impostos e os reproduzem ao longa das gerações. Certamente, a atuação do cristianismo na colonização impôs a exaltação da pureza sexual, sendo assim, a comunidade brasileira incorporou essa imposição e infelizmente naturalizou um enorme tabu quando o assunto é sexo. Isso é notório, à medida que 625.750 de garotas abaixo de 19 anos se tornaram mães no ano de 2014, apenas no Estado de São Paulo, segundo o site Acidadeon.
Outrossim, a partir da frase do Economista Roberto Campos, a qual dizia “Tudo o que se pode fazer é administrar as desigualdades, buscando igualar as oportunidades”, analisa-se que o Brasil que está entre as dez maiores economias do mundo, falha em promover igualdade pois, apesar de ser um país rico, é notório o número de pessoas marginalizadas. Por conseguinte tal negligência resulta em jovens vulneráveis, na medida em que eles não têm acesso a uma educação de qualidade o que impossibilita uma perspectiva em relaço ao mercado de trabalho. Para exemplificar, no Brasil cerca de 83% das adolescentes que são mães precocemente não estudam e nem trabalham, conforme o levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilios em 2013.
Em suma, para que se diminua os casos de gravidez na adolescência, é preciso que o Ministério da Educação, através Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, crie um projeto de prevenção à gravidez, no qual consiste a adição da matéria sobre educação sexual na grade curricular, além de um fórum virtual para que a família junto aos alunos tenham o direito de opinar e dar ideias para tais aulas, com o intuito de envolver a comunidade no combate a problemática. Ademais, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento intensifique os programas sociais, como o Bolsa Família, Bolsa Verd entre outros, a fim de promover a inserção na sociedade dos brasileiros marginalizados, para que tais pessoas ampliem as oportunidades sociais, como educação e trabalho.