Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 12/08/2021
Aristóteles, grande filósofo grego, defendia a necessidade da educação e de um governo ético que agisse conforme a virtude e os interesses públicos. Para ele, sem esses fatores, jamais seria possível construir uma esfera social justa e harmônica. Em consonância com o seu pensamento, percebe-se o valor do conhecimento e de um Estado ativo para a construção de um meio mais digno. Porém, no que tange, em pleno século XXI, a grande presença da gravidez na adolescência no Brasil, nota-se uma insuficiência intelectual que compromete, por consequência, a vida de milhões de adolescentes brasileiros. Dessa forma, com o intuito de mitigar os males relativos a essa temática, é importante analisar a negligência governamental e a deficiência educativa do país. A princípio, é lícito reaver o aspecto sobredito quanto à omissão estatal nesse caso. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, em 2015, entre as jovens de 15 a 19 anos, mais de 500 mil já eram mães e mesmo diante de tal ótica, o Estado não toma deliberações eficazes para atenuar essa chaga social. Esse fator ocorre, mormente, pela passividade do governo, já que não tem propagado, com eficiência, informações suficientes acerca do uso de contraceptivos ou sobre as sequelas advindas dessa temática. Consequentemente, muitos adolescentes, em especial aqueles que de menor renda, ausentes dessas informações não divulgadas, sofrem com as consequências que esse problema traz, como estagnação de sua vida escolar e maior responsabilidade para cuidar do filho, exemplo. Esse contexto de ineficiência do governo em garantir educação aos cidadãos exemplifica a teoria das Instituições Zumbis, de Zygmunt Bauman, que as descreve como sem essência e sem nenhum tipo de sentido ou direcionamento para resolver os problemas atuais. Desse modo, é imperioso que, para a total impugnação da teoria do sociólogo polonês, essa problemática finde. Por conseguinte, vale postular a deficiência educativa, como outra causa do problema. Conforme Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. A partir disso, depreende-se, logo a sua importância para a formação de valores que, infelizmente, estão ausentes nos jovens brasileiros, uma vez que não receberam a devida escolarização para reconhecer os malefícios supracitados dessa prática. Esse desafio se dá, sobretudo, graças aos modelos educacionais arcaicos que estão voltados, exclusivamente, para a memorização da teoria, sem o devido aprofundamento em problemas comuns vigentes na nação ou no ensino de outros campos sociais, como o aumento dos índices de gravidez precoce no país. Assim, tal cenário, em que o aparecimento de pessoas grávidas está atrelado à ineficácia das escolas em instruir corretamente os alunos, corrobora a ideia da psicóloga Viviane Senna, que atribui que os padrões de ensino pararam no século XIX, não oferecendo propostas úteis para as inquietudes hodiernas. Dessa forma, fica clara a inocuidade dos colégios e que por não oferecer tais instruções, cada vez mais a sociedade estará fadada ao caos e a deseducação. Portanto, diante dos desafios supramencionados, uma intervenção faz-se necessária para garantir a atuação do Estado e da população no assunto. Nesse sentido, urge que o Governo Federal trabalhe na propagação de informações que levem a sociedade a tomar conhecimento sobre as dificuldades que a gravidez precoce traz, essa ação deverá ser divulgada por meio de campanhas publicitárias e terá como finalidade, acima de tudo, instruir os jovens a tomarem os devidos cuidados – como usar contraceptivos ou se abster de tais práticas nessa fase da vida – para que os índices de gravidez precoce diminuam. Por fim, será possível atenuar o problema e, ademais, garantir uma sociedade mais parecida com a proposta por Aristóteles, educada e com governo justo.