Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/08/2021

Na série americana “Gilmore girls”, Lorelai é uma mulher que engravidou aos 16 anos e teve sua vida totalmente modificada depois disso. Analogicamente, essa é a realidade de milhares de jovens brasileiras, que, no entanto não conseguem ter uma experiência tão cinematográfica quanto a da personagem. Infelizmente, a gravidez precoce é um sinal alarmante do descaso social para com as adolescentes brasileiras. Essas, em parte das vezes passam por isso devido ao tabu existente em torno do assunto e consequentemente, deixam os estudos e a vida profissional para se dedicarem ao filho antes da hora.

Apesar da maior parte das escolas contarem com aulas sobre métodos preventivos, esse tipo de didática não é a ideal perto de todos os tópicos a serem trabalhados nessa problematização. Ademais, existe ainda um senso comum de que assuntos assim não deveriam ser comentados, principalmente em uma sala de aula, mesmo que digam respeito a um autocuidado e não um estímulo a vida sexual ativa. Além disso, de acordo com o doutor David L. Hill, metade dos adolescentes termina o ensino médio já tendo tido relações sexuais, e muitas vezes sem qualquer informação concreta sobre o cuidado necessário. Por fim, pode-se mencionar como a responsabilidade fica inteiramente na jovem, como se o rapaz envolvido não tivesse nada a ver, e estivesse apenas fazendo o que lhe é esperado.

Não obstante, há a evasão escolar causada devido a gravidez precoce. De acordo com estudo feito pela Fundação Abrinq, 3/10 das mulheres que se tornaram mães jovens estudaram por um período de menos de 7 anos na vida. Isso porque no momento em que concebem um filho, esse acaba se tornando a prioridade e estudos e carreira vêm em segundo plano. Dessa forma, conquistas como a igualdade de gênero se tornam mais distantes, já que essas mulheres perdem espaço no mercado de trabalho e precisam arrumar emprego sem uma formação completa.

Portanto, é essencial que - a fim de sanar tais problemas de saúde pública - o governo Federal promova parcerias entre as escolas públicas e federais com clínicas ginecológicas que se disponibilizem a dar palestras instrutivas e conceder consultas regulares as adolescentes dessas instituições de ensino. Além disso, seria interessante que ONGs prestassem auxílio as jovens que engravidam cedo para que pudessem ter o suporte necessário a fim de continuarem estudando. Por último, a mídia poderia propiciar campanhas com intuito de divulgar a importância da discussão do tema nas famílias, de forma que os jovens (não apenas as garotas) desde cedo fossem instruídos a terem a responsabilidade nas suas ações e com seus futuros.