Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 28/08/2021
O documentário “Meninas” lançado em 2006, acompanha a história de quatro meninas periféricas que ficam grávidas na adolescência e enfrentam diversos problemas por conta disso. A realidade brasileira atual não foge da que é mostrada no documentário, segundo dados divulgados pelo SEADE, 14,5% das mulheres que se tornaram mães, em 2014, no Estado de São Paulo tinham até 19 anos. Diante dessa problemática, é válido averiguar a falta de educação sexual nas escolas e à criminalização do aborto nesses casos.
Em primeira análise, é primordial ressaltar à ausência de educação sexual nas escolas do Brasil como um fator motivador dessa adversidade. A informação e concientização aos jovens sobre sexo, métodos contraceptivos e as consequências de uma gravidez na adolescência podem reduzir a incidência de gestação nessa fase, problema que pode trazer complicações para a vida da mãe durante a puberdade,como prova estudo da Fundação Abrinq, que mostrou que quase 30% das mães adolescentes não concluíram o ensino fundamental.
Outrossim, aborto legal em casos que a mulher é menor de idade devem ser discutidos. O aborto que sempre foi alvo de bastante polêmica e conflitos de ideias na sociedade brasileira nos leva discutir sobre reprodução, gravidez indesejada e pobreza. A sua realização ilegal é muito comum e infelizmente muito arriscada, principalmente para mulheres pobres. Diante disso, fica clara à necessidade da legalização em casos de gravidez indesejada durante a juventude como uma forma de conter esse problema e evitar o sofrimento dessas mulheres e de seus bebês.
Infere-se, portanto, que o Estado deve atuar de forma responsável para atenuar essa problemática. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação promover campanhas de prevenção da gravidez na adolescência, por meio da inclusão de educação sexual, dada por um profissional da pedagogia, no cronograma escolar, prevenindo não só a gravidez precoce, mas também doenças sexualmente transmissíveis somente informando esses jovens de forma correta. Ademais, cabe ao poder executivo colocar em tese a autorização do aborto legal à todas as menores de idade sem condições financeiras e psicológicas de criar um filho e que não desejem continuar com a gestação, de forma que traga mais liberdade à todas sobre seus próprios corpos e assim engravidando quando estiverem prontas e com idade para tal. Dessa forma, a gravidez em adolescentes sofrerá uma diminuição e assim o documentário “Meninas” será uma realidade distante no Brasil.