Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 03/09/2021

Em 2020 no estado do Espirito Santo o estupro seguido de uma gravidez de uma criança de 10 anos virou de dominio publico, o qual todos opinavam em como ela deveria seguir com sua vida retirando dela mesmo seus direitos de escolha e expondo sua realidade como mulher e como criança. De maneira análoga a isso, a persistência da gravidez na adolescência no Brasil. Cabe, assim, estabelecer que nesse contexto questões sócio-culturais, como o machismo estrutural, e também a ausência do diálogo, no qual as famílias e as instituições de ensino não abrem o debate acerca da educação sexual.

Primeiramente, é indubitável que a sociedade vigente é patriarcal, a qual coloca a mulher como objeto sexual ou reprodutivo, fomentando assim, a ideologia de que é normal e obrigatório mulheres de qualquer idade engravidarem. Desse modo, se põe a normalização da gravidez na adolescência, assim, a escritora Chimamanda Ngozi atribui a cultura do controle ao corpo feminino a um fator que contribui para essa normalização, o que leva a violência normalizada para corpos femininos, refletindo nos dado apresentados pelo IBGE, os quais a cada 1000 mulheres grávidas 60 possuem entre 12 e 19 anos. Sendo assim, se forma uma sociedade que normatiza esta violência contra a vida, pois uma garota grávida dificilmente se mantém na escola e não continuará levando uma vida normal posto que a sociedade que contribuiu para esse quadro é a mesma que marginaliza as jovens.

Outrossim, é notório a desinformação acerca da educação sexual que leva ao país a ter não só altos índices de gravidez na adolescência como estes serem repercutirem de relações não consensuais, segundo a rede de informação MIDIANINJA. Contudo, esse quadro se agrava quando a Ministra da Educação impõe que a melhor forma de evitar a gravidez é não praticar relações, negligenciando pautas de estupros, sem debater com os adolescentes acerca dessa ideologia ela é ignorada pelos jovens e aplaudida por uma geração conservadora, politizando o problema. Sendo assim, fica evidente a necessidade de se pautar a educação sexual e a sociedade patriarcal, para que assim, se efetive as políticas que problematizam a gravidez na adolescência para os adolescentes.

Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessário a adoção de medidas que venham conter a persistência da gravidez na adolescência no Brasil. Por conseguinte, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, juntamente ao MEC e ao SUS, fazer com que se aplique uma política de educação sexual, por meio de ações dentro das escolas de debate entre educadores da saúde e a jovialidade a fim de que se instrua os adolescentes a prezarem pela saúde deles e coletiva de forma que se respeite suas necessidades hormonais. Somente assim, a sociedade brasileira iniciará um caminho contra o machismo estruturado de forma que já tenha benefícios diretos sem pautas ideológicas.