Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 03/09/2021
Na série “Sex Education”, produzida pela Netflix, são retratadas as dificuldades e dúvidas dos jovens sobre a vida sexual e suas características. Do contexto das telas à realidade brasileira, as perguntas sem respostas também são pertinentes, muitas vezes resultando em gravidez na adolescência. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da escassez de informação e do silenciamento do tema.
Sob esse viés, pode-se apontar, como fator determinante, a falta de educação sexual. De acordo com a psicóloga Jaqueline Gomes, professora do IFRJ, falar sobre sexo, para muitos adultos, é considerado um tabu, visto que é imposto pela sociedade que a disseminação de informações que se tratam do corpo e de relações íntimas são ensinar ou incentivar as crianças a praticarem tal ato. Com isso, escolas não são preparadas para esse tipo de aula, o que resulta em adolescentes desinformados, sem conhecimento dos métodos contraceptivos, como usá-los, de que maneira tomar um remédio apropriadamente, identificar abusos e o principal, de que forma se relacionar de maneira segura, podendo evitar gravidezes precoces, o que seria importante para o Brasil, levando em conta que a cada 100 meninas, 46 engravidam enquanto jovens, segundo o IBGE.
Além disso, outro fator determinante é a falta de discussão. Nadejda Mandelstam afirma que “O silêncio é o verdadeiro crime contra a humanidade”. Tal crime está instaurado na falta de discussão sobre relações sexuais, uma vez que muitas famílias não tem o costume de dialogar sobre o assunto ou exigem sexo somente após o casamento, o que leva muitas pessoas a procurarem informações na internet ou acharem vergonhoso recorrerem ao sus ou à farmácias para adquirirem métodos contraceptivos e acabam agindo de maneira impulsiva e sem apoio ou instruções de familiares. Desse modo, ações como essas podem levar a uma gravidez indesejada e muito cedo, o que muitas vezes também tem como consequência a evasão escolar e um grande perigo a saúde, dependendo da idade. Assim, é urgente tirar essa questão da invisibilidade.
Portanto, é importante uma intervenção pontual. Para isso, a mídia, em especial o Instagram e o TikTok, devem criar uma campanha que trate sobre gestação precoce, por intermédio de lives e postagens com orientações precisas, vindas de profissionais da saúde, a fim de reverter o silenciamento que impera. Tal ação pode, ainda, ser divulgada por influenciadores digitais para atingir mais pessoas. Paralelamente, é preciso intervir sobre a falta de educação sexual, por meio de palestras e aulas, com o intuito de espalhar conhecimento aos jovens. Assim, o Brasil irá responder todas as perguntas que se passam na cabeça dos adolescentes.