Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/09/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na sociedade contemporânea é o oposto do que o autor prega, haja vista a presença, alarmante, da gravidez na adolescência no Brasil, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico justifica-se tanto pela evasão do sistema educacional, quanto pelos riscos que a maternidade oferece.
É importante pontuar, de início que a gravidez precoce é um fator exógeno de evasão escolar que resulta na consolidação desse cenário danoso. Um estudo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq) em 2017, constatou que menos de 20% das mães no Brasil não concluíram o Ensino Fundamental e esse número avança para quase 30% quando se considera os indivíduos com até 19 anos. Diante disso, é possível perceber que esse panorama representa um custo de oportunidade para às mulheres, uma vez que a falta de condições, compreensão e abordagem adequadas da problemática resulta na interrupção do percurso ou abandono do sistema educacional por parte das adolescentes. Além disso, repercute em desvantagens em relação ao trabalho e à inserção produtiva, bem como as torna vulneráveis à pobreza, violência, criminalidade e exclusão social.
Cabe ressaltar que a gestante se encontra exposta a uma série de complicações nesse período, inclusive o risco de morte. Conforme os dados do Ministério da Saúde (MS), houve em São Paulo um total de 274 falecimentos relacionadas com a gravidez precoce em 2004. Essas mortes, além das causas obstétricas, podem estar relacionadas com a tentativa de aborto, comum em adolescentes. Ademais, observa-se que a morte infantil é maior em crianças nascidas da mocidade com menos de 15 anos, quando comparadas com as mulheres entre 25 e 29 anos de vida. Nesse sentido, é importante ressaltar a gravidade do imbróglio, uma vez que atinge uma grande demanda da sociedade, ocasionando altas taxas de mortalidade da geração futura e outros inúmeros prejuízos, que podem ser evitados com a tomada de ações eficientes.
Logo, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática no Brasil. Portanto, o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde, deve promover palestras e debates com os pais, os jovens e o corpo docente das escolas sobre métodos contraceptivos e a importância da responsabilidade sexual, com o auxílio de psicólogos e especialistas no assunto, através de uma didática eficaz e adequada a cada faixa etária, no intuito de que haja conhecimentos necessários para a consolidação digna da juventude.