Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/09/2021
No livro “Cem anos de solidão” do escritor Gabriel Garcia Marques, é retratada a a personagem Remedios que se casa com Aureliano ainda muito jovem, poucos momentos após a primeira menstruação, e ela morre após o casamento, devido a uma gravidez de risco. Fora da literatura, o Instituto de Pesquisa e Estatística Aplicada, IPEA, revela que uma em cada cinco crianças possui mãe com idade entre 10 e 19 anos, o que demonstra quão altas são as taxas de adolescentes que, assim como Remedios, correm riscos por causa de gestações precoces. Por isso, faz-se necessário analisar o contexto familiar, no que tange a educação ofertada, e, também, o entrave histórico cultural que coíbe a discussão sobre sexualidade, fatores que contribuem para as altas taxas de gravidez.
A princípio, é preciso entender que com o advento da indústria e a modificação social que ela trouxe, as famílias perdem parte do tempo que antes era destinado ao núcleo familiar. E sendo essa instituição a responsável pela educação moral, danos serão causados a longo prazo, no modo como é estruturada a sociedade, o que pode resultar no aumento do número de gestações na adolescência. Isso se dá devido à constante terceirização da educação dos filhos, que é falha quanto à transmissão de valores, não ensina que a vida sexual exige responsabilidades, e que a falta destas traz prejuízos, o que, por consequência, resulta em um maior número de jovens que adquirem conhecimento sobre o sexo na prática, expondo-se a DSTs e à gravidez precoce.
Indubitavelmente, a gravidez na adolescência pode ter diversas causas. Algumas meninas relatam, inclusive, que a gravidez foi desejada. Entretanto, independentemente das causas e desejos de cada adolescente, fato é que a gravidez precoce é um problema de saúde pública, uma vez que causa riscos à saúde da mãe do bebê e tem impacto socioeconômico, pois muitas das grávidas abandonam os estudos e apresentam maior dificuldade para conseguir emprego. Em suma, para que se diminua os casos de gravidez na adolescência, é preciso que o Ministério da Educação, através Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, crie um projeto de prevenção à gravidez, no qual consistirá a adição da matéria sobre educação sexual na grade curricular, além de um fórum virtual para que a família junto aos alunos tenham o direito de opinar e dar ideias para tais aulas, com o intuito de envolver a comunidade no combate à problemática. Ademais, é necessário que o Ministério do Desenvolvimento intensifique os programas sociais, como o Bolsa Família, Bolsa Verde, entre outros, a fim de promover a inserção na sociedade dos brasileiros marginalizados, para que tais pessoas ampliem suas oportunidades sociais, como educação e trabalho.