Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 05/09/2021
Em países subdesenvolvidos como Chile e Colômbia, a taxa de gravidez na adolescência está abaixo da média mundial. No Brasil, entretanto, segundo dados do Ministérioda Saúde, em 2017, um em cada cinco bebês que nascem é filho de mãe entre 15 e 19 anos. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à desigualdade social, mas também em razão de políticas públicas ineficazes.
Nesse sentido, vale destacar a disparidade socioeconômica como fator relevante nos altos índices de gravidez não planejada entre adolescentes brasileiros. Nessa lógica, de acordo com a Teoria Reformista, pensada no século XX, a população vulnerável tende a apresentar maior taxa de natalidade, uma vez que não possui acesso à informação e a recursos financeiros para um planejamento familiar. Por esse ângulo, observa-se, portanto, que o meio social molda o indivíduo de acordo com suas carências e realidades. Dessa maneira, nota-se que as gestantes adolescente são, em geral, vítimas de uma sociedade desigual e injusta, na qual apenas a classe abastada tem esclarecimento sobre os impactos da gravidez precoce de forma ampla. Logo, por consequência, a liberdade da esfera vulnerável é tolhida em função da sua classe social.
Além disso, é imprescindível salientar o alheamento do Estado em cumprir sua função de amenizar os problemas sociais. Nessa perspectiva, a ausência de políticas sociais incisivas e abrangentes no combate à gravidez entre adolescentes é condição agravante para a permanência dessa questão no país. À vista disso, a falta de responsabilidade governamental em prol da melhoria social põe em risco a saúde de milhares de crianças e adolescentes, haja vista que a gravidez precoce traz não só malefícios às mães, mas também aos bebês, posto que o corpo não está desenvolvido o suficiente para reproduzir. Assim, a gestação na adolescência interrompe os ciclos naturais da vida e, de forma irreversível, transforma crianças em adultos de forma repentina, causando impactos físicos e mentais.
Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, o Governo Federal, responsável pela administração dos interesses da nação, deve, por meio de amplos investimentos, desenvolver políticas públicas que visem a redistribuição de renda à camada mais vulnerável, com o objetivo de reduzir as desigualdades sociais. Dessa forma, os mais vulneráveis terão acesso democrático à saúde e ao planejamento familiar. Paralelamente, ele precisa promover mutirões em escolas e campanhas publicitárias em TV aberta, a fim de alcançar o máximo da população, para que haja uma conscientização dos indivíduos acerca da gravidez na adolescência. Assim, será possível moldar um país mais igualitário e saudável.