Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 26/09/2021
Na série “Sex Education “, evidencia-se que a vulnerabilidade da educação sexual corrobora para casos de gravidez na adolescência e a contaminação por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) . Fora da ficção, ampliou-se a recorrência da gravidez precoce na contemporaneidade. Destacam-se, no Brasil, o intenso tabu a respeito das questões sexuais e desequílibrio do núcleo parental. Portanto, faz-se vital reiterar as implicações sociais dos casos de gravidez na adolescência.
Nesse contexto, é imprescindível ressaltar que a Constituição Federal de 1988 garante que é papel do Estado fornecer educação e conhecimento, de modo que a escola é o órgão que visa efetivar esse compromisso. Todavia, o preconceito existente na sociedade reflete dentro das escolas, de modo que criam barreiras para o diálogo sobre esse viés. Logo, crianças e adolescentes se tornam suscetíveis a desinformação e propensos a gravidez não planejada e às ISTs. Segundo Aristóteles, assiste ao governo, por meio da justiça, promover o equilíbrio dentro do corpo social. Sendo assim, desconstruir conceitos que atrasam a sociedade é fundamental para expandir a formação educacional, social e cidadã dos indivíduos dentro e fora das escolas.
Ademais, outro fator que delimita a problemática é a desestrutura familiar, já que a falta de assistência tem grande impacto na manutenção da infância. Diante disso, o descuido parental é uma implicação social para o aumento de adolescentes grávidas, visto que, atrelado à desinformação, as adolescentes são passíveis a serem influenciadas e até violentadas sexualmente. Conforme Talcott Parsons, “as famílias são máquinas que reproduzem personalidades humanas”, uma vez que é recorrente a gravidez precoce em famílias que se iniciaram dessa maneira - como noticiado no jornal Profissão Repórter. Assim, é notório que o ciclo familiar tem grande responsabilidade na proteção e no amparo das crianças e adolescentes.
Por tudo isso, é indubitável a necessidade de intervenção nas implicações sociais no que tange à gravidez precoce. Então, urge que o Governo Federal invista recursos para o financiamento de propagandas midiáticas sobre a importância da educação sexual, como também patrocine palestras e debates abertos à população dentro das instituições, com o intuito de minimizar o tabu e fornecer o conhecimento. Além disso, o Poder Legislativo deve aprimorar as leis que visem a criação de políticas públicas, para a legitimação da mesma, por meio de órgãos que assistam famílias carentes, de modo que assegurem os adolescentes dos abusos e influências da sociedade. Quiçá, poder-se-á enxergar um país mais equilibrado e informado.