Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 24/09/2021

Manoel de Barros, poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Seguindo a lógica barrosiana, faz-se necessário evidenciar a problemática da gravidez na adolescência, visto que essa realidade é corriqueira na sociedade brasileira. Dessa forma, urge analisar o déficit existente na educação, como também a intensificação do problema pela desigualdade social.

Diante desse cenário, uma das causas que induz o assunto supracitado é a falha no ensino educacional, uma vez que a escola é responsável por compartilhar conhecimento com os alunos e, por conseguinte, com a população. Sob essa óptica, a escola pode ser comparada com uma gaiola, como propôs o educador Rubem Alves, na medida em que impede que os estudantes tenham conhecimento sobre as consequências da gravidez na adolescência. Consequentemente, é função da escola garantir um ensino básico sobre tal tema - como acontece, as prevenções, os efeitos na saúde - para aumentar a qualidade de vida dos jovens, além de diminuir a taxa de gravidez no Brasil.

Ademais, outra razão que sustenta esse problema é a desigualdade social, pois observa-se uma maior taxa de gravidez na adolescência em países mais desiguais e vulneráveis socialmente, como o Brasil que tem uma taxa de 68,3 de gravidez entre jovens, uma das mais altas da América Latina, segundo um relatório americano que visa retardar esse problema nos países latinos. Nessa lógica, nota-se uma relação de inversibilidade proporcional entre baixa renda e gravidez precoce, pois os jovens com condições financeiras favoráveis têm um investimento maior em educação, cultura e conscientização, o que não é análogo aos adolescentes com limitações financeiras. Dessarte, é necessário que ocorra uma mudança rápida dessa realidade nacional.

Portanto, faz-se urgente a resolução desse problema. Para isso, a fim de conscientizar os adolescentes sobre os perigos da gravidez precoce, compete ao Ministério da Educação adicionar na matriz curricular o ensino sobre tais questões, por meio de palestras com profissionais da saúde, dinâmicas na classe e aulas de saúde íntima na matéria de biologia para garantir que o conhecimento esteja presente entre os jovens. Outrossim, compete ao Ministério da Justiça garantir que os direitos constitucionais dos adolescentes serão colocados em prática, com o objetivo de amenizar a desigualdade social e, consequentemente, a gravidez nos menores de 18 anos. Isso deve ser feito mediante a intensificação das fiscalizações referentes à efetividade dessas medidas legislativas. Assim, será possível dissociar essa específica realidade brasileira da obra de Manoel de Barros.