Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/09/2021

Segundo relatório publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), 15% das gestações na América Latina são de adolescentes com menos de 20 anos. Esses números demonstram que o problema da gravidez precoce está presente de forma complexa na realidade brasileira, visto que pode resultar em diversas consequências tanto para a gestante quanto para o bebê, como depressão durante e após a gravidez, parto prematuro e a dificuldade de conseguir trabalhar e estudar. Com efeito, evidencia a necessidade de promover melhorias para alterar essa situação, que persiste influenciada pela negligência educacional, bem como pela má influência midiática.

Convém ressaltar, a princípio, como a falta de informação contribui para a alta taxa de gravidez na adolescência. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam o seu entendimento a respeito do mundo. Sob essa perspectiva, percebe-se a ausência da educação sexual nas escolas e, principalmente, nas famílias, visto que conversar sobre esses assuntos ainda permanece como um grande tabu no Brasil, seja, por exemplo, por constrangimento ou por religiosidade. Dessa forma, em diálogo com o filósofo, se o jovem não possue acesso à informações sérias sobre a gravidez - como as consequências para a saúde e para a vida profissional - seu entendimento sobre o tema será limitado.

Ademais, os estímulos por prazeres físicos são constantemente alimentados pela mídia. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democrácia direta não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica. Nessa lógica, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o conhecimento da população, funciona como grande estímulo de erotismo, com programas, filmes, novelas e séries, o que fomenta o desejo - desde cedo - por atos sexuais. Dessa maneira, o jovem é bombadeado constantemente por cenas erotizadas, o que aumentam as chances de ter relações sexuais na adolescencia, contribuindo para a gravidez precoce.

Logo, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, é preciso que o Ministério da Educação, juntamente com as prefeituras, promova eventos nas escolas para os alunos e para os pais, por meio de documentários, “workshops”, debates e palestras apresentadas por médicos e grávidas.  Além disso, tais eventos devem conscientizar os pais dos alunos a fiscalizarem o que os filhos assistem, buscando seguir a recomendação de idade de cada programa. Assim, com o apoio da educação da escola e dos pais, os jovens serão mais concientes sobre os risco da gravidez e suas consequência para a vida adulta.