Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 04/10/2021
De acordo com dados do IBGE, em 2019, 59 a cada 1.000 mulheres gestantes possuem faixa etária média entre 15 a 19 anos. Apesar da distribuição gratuita de preservativos por serviços públicos de saúde, destacam-se entre as principais causas do problema a desinformação quanto ao uso de métodos contraceptivos, influência ao comportamento sexual e o desejo prematuro para a gravidez. Acarreta-se, pois, consequências negativas à formação profissional e educacional, além da grande responsabilidade provocada ao adolescente. Portanto, medidas devem ser tomadas para que essa situação seja revertida.
Em primeira instância, é necessário identificar as causas desse problema. Proveniente do ambiente familiar, a desinformação se baseia em uma crença que, em tese, estimula o adolescente a uma vida sexualmente ativa através do seu conhecimento sobre relações sexuais em uma idade juvenil. Na ficção “O Olho da Rua”, por Eliane Brum, descreve-se a situação de uma menina de catorze anos que, em razão de sua incompreensão, engravidou pelo desejo de criar uma família com o pai, que a garantiu sua proteção e sustento. O impacto gerado pela indisciplina e a religião, que transforma a relação sexual em um tabu na sociedade contemporânea, são influências explícitas para a prática precoce de tal ato.
Analisando os dados nacionais que se encontram acima da média internacional, fica evidente que o crescimento de tal incidência é consequente da carência do conhecimento dos adolescentes sobre sexualidade no Brasil que, além de causar o despreparo do adolescente em virtude da sua eventual responsabilidade, aumentaria os índices de desigualdade pela renda que seria gasta para o cuidado maternal e ocasionaria a falta de inclusão no mercado de trabalho.
Em suma, para que haja a redução dos casos da gravidez na adolescência, é necessário que o Ministério da Educação, em colaboração com o Ministério da Saúde, criem uma estratégia que envolva a inclusão da educação sexual nas grades curriculares acadêmicas, com a finalidade de desconstruir a enfermidade causada pela gravidez precoce, além do incentivo à comunidade das famílias que, junto com os filhos, sejam capazes de sugerir ou complementar para que as aulas sejam compreensíveis e adaptáveis para todo o público infantil e adolescente. Assim, situações como a evidenciada em “O Olho da Rua” se manterão exclusivas somente à narrativa da ficção, sem que haja influências sobre a realidade.