Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 11/10/2021
De acordo com um relatório publicado em 2018 pela organização Pan-Americana da saúde, o Brasil tem, por ano, mais de 400 mil casos de gestação de jovens até 19 anos. Devido a isso, a atualidade exige reflexões em torno das estratégias para se combater a gravidez na adolescência no contexto brasileiro. Assim, é necessário analisar a prática sexual leviana e a resistência social na abordagem da questão como desafios a serem mitigados.
Primeiramente, a experimentação do sexo desprovido de cuidado emerge como um problema preocupante. A esse respeito, é interessante referenciar o sociólogo francês Émile Durkhein, ao considerar que o modo de pensar e agir de um indivíduo advém da influência de forças sociais. A partir dessa perspectiva, verifica-se a realização de atos a fim da satisfação imediata como ponto fundamental a uma suposta vida livre e prazerosa. Esse cenário é muitas vezes alicerçado pelo discurso publicitário ao valorizar hábitos sociais desconectados de informações sobre o sexo seguro na busca do reconhecimento da maturidade social. Logo, ignorar a importância da propagação informativa sobre os métodos para se combater a gravidez na adolescência no Brasil, é um equívoco gigantesco.
Em segundo lugar, a relutância social na abordagem das táticas para se combater a gravidez precoce na sociedade brasileira, configura um embate a ser repelido. Compreender essa afirmação é reconhecer que há uma lacuna na educação sexual no país, já que a abordagem a respeito dessa questão é mínima. Como disse Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Dessa forma, é necessário, como estratégia, que as famílias, bem como as instituições de ensino conversem com as adolescentes, procurando compreender os receios e angústias que as afligem, também esclarecer que elas podem ter um futuro profissional promissor não necessitando de terem filhos tão jovens. Então, elas se sentirão empoderadas para dizer “não” quando o parceiro insistir em uma relação sexual sem cuidados.
Urge, portanto, uma postura engajada e efetiva do Estado nessa realidade apresentada. Desse modo, compete ao Ministério da Educação- órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação (PNE) - criar uma disciplina específica no currículo escolar que aborde essa situação. Tal feito será assegurado por meio de debates entre professores, alunos e ginecologistas. Soma-se, a isso, a criação da campanha publicitária intitulada como-“Gravidez na idade certa”-pelo Ministério da Saúde a qual poderá ser veiculada nas mídias digitais. Tais ações estariam destinadas a amenizar o problema abordado. Por consequência, a aplicação dessas medidas poderá superar os desafios inerentes ao combate a gravidez precoce no Brasil.