Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/10/2021

Na série americana “Gilmore Girls”, a protagonista, Lorelai, engravidou aos 16 anos e teve sua vida completamente modificada. Analogamente, milhares de mulheres brasileiras encaram essa realidade ao lidar com uma gravidez precoce. Dessa forma, percebe-se um sinal alarmante do descaso social para com as jovens do país. Essas, por vezes, lidam com isso devido ao tabu existente em torno do assunto e, como consequência, deixam os estudos e a vida profissional para se dedicarem ao filho antes da hora.

Apesar da maior parte das escolas contarem com aulas sobre métodos preventivos, esse tipo de didática não é a ideal perto de todos os tópicos a serem trabalhados nessa problematização. Ademais, existe ainda um senso comum de que assuntos assim não deveriam ser abordados, principalmente em uma sala de aula, mesmo que digam respeito a um autocuidado e não a um estímulo à vida sexual ativa. Além disso, de acordo com o doutor David L. Hill, metade dos adolescentes termina o ensino média já tendo tido relações sexuais e, muitas vezes, sem qualquer informação concreta sobre o cuidado necessário. Por fim, pode-se mencionar como a responsabilidade recai inteiramente na jovem, como se o rapaz envolvido não tivesse nada a ver, e estivesse fazendo apenas o que lhe é esperado.

Não obstante, há a evasão escolar causada devido à gravidez precoce. De acordo com um estudo feito pela Fundação Abrinq, 3/10 das mulheres que se tornaram mães jovens estudaram por um período de menos de sete anos na vida. Isso porque, no momento em que concebem um filho, esse acaba se tornando a prioridade e estudos e carreira vêm em segundo plano. Sendo assim, conquistas como a igualdade de gênero se tornam mais distantes, já que essas mulheres perdem espaço no mercado de trabalho e precisam arrumar emprego sem uma formação completa.

Portanto, é essencial que – a fim de sanar tais problemas de saúde pública – o Governo Federal promova parcerias entre as escolas públicas e federais com clínicas ginecológicas que se disponibilizem a dar palestras instrutivas e conceder consultas regulares às adolescentes dessas instituições de ensino. Além disso, seria interessante que as ONGs - por meio de seus trabalhos – prestassem auxílio às brasileiras que engravidam cedo; para que essas possam ter o suporte necessário a fim de continuarem estudando. Por último, a mídia poderia propiciar, por meio de campanhas, a divulgação da importância em cima da discussão do tema nas famílias; de forma que os jovens (não apenas as garotas), desde cedo, sejam instruídos a terem responsabilidade nas suas ações e nos seus futuros.