Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 18/10/2021

Na série “Elite”, original da Netflix, Marina é uma jovem que, ainda na adolescência, engravida, o que colabora para que a garota tenha que lidar com várias complicações, como a repressão da família e a falta de acolhimento em seu meio social. Fora da ficção, a questão da gravidez na adolescência também configura-se como um problema, uma vez que insuficiências educacionais, somadas à omissão dos pais, corroboram na construção de inúmeros obstáculos para a resolução da problemática.

Nesse sentido, cabe analisar a inoperância estatal como uma causa dessa conjuntura. Primeiramente, é válido destacar a importância da educação para o saudável desenvolvimento das crianças e adolescentes, em todas as esferas. De acordo com o filósofo John Locke, é dever do estado garantir uma educação que prepare todo ser humano para a vida em sociedade. Entretanto, é possível inferir que o mesmo não tem tomado medidas suficientes no que diz respeito à educação sexual, já que, de acordo com a Organizacao de Saúde Pan-americana, as taxas de gravidez na adolescência continuam altas, sobretudo na parcela mais marginalizada da população, que, frente à desinformação, permanece inerte em relação ao problema.

Além disso, cabe ressaltar que, na adolescência, frente às responsabilidades advindas da vida adulta, alguns jovens, principalmente os pais, preferem fugir da responsabilidade da gravidez. De acordo com o filósofo Foucault, na sociedade contemporânea, quando temas importantes são silenciados, as estruturas de poder são mantidas. Assim, frente ao preconceito cristalizado de uma sociedade machista e patriarcal, as mães jovens não se sentem acolhidas e nem preparadas para lidar com a situação, tendo em vista que não discutiram previamente sobre a sexualidade dentro de casa , fazendo com que as meninas se sintam oprimidas pela omissão dos pais.

Portanto, para prevenir a gravidez na adolescência, urge que o Ministério da Saúde instrua as crianças e adolescentes, por meio de palestras e seminários nas escolas, sobre métodos contraceptivos, sugerindo o uso de preservativos nas relações sexuais. Ademais, com o intuito de diminuir o índice de mães solteiras na adescencia, é necessário que a Secretária Especial de Comunicação incentive, por meio de propagandas, a desconstrução de convicções machistas e patriarcais que, ainda hoje, dificultam o processo de gravidez na adolescência. Dessa maneira, será possível garantir a responsabilidade estatal, destruir preconceitos cristalizados e, finalmente, evitar situações que, assim como em “Elite”, têm sido reproduzidas na vida real.