Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 08/11/2021
No livro “Angústia”, de Graciliano Ramos, é narrada a história de Marina, uma adolescente de Alagoas que, imediatamente após se apaixonar por Julião Tavares, engravidou e foi abandonada, tendo que, por desespero e solidão, recorrer a um aborto clandestino. Fora da ficção, vê-se que, principalmente no Brasil, a gravidez na adolescência é um fenômeno recorrente e evidente graças a inúmeros fatores. Nesse viés, assim como na obra, a falta de conhecimento acerca de métodos contraceptivos e a vulnerabilidade socioeconômica estão presentes como causas dessa mazela social que deve ser urgentemente mitigada.
A princípio, cabe ressaltar que a falta de educação sexual adequada é um dos pontos que compõe os casos de gravidez precoce. Nesse sentido, é lícito referenciar o filósofo francês Michel Foucault que, em seu conceito de “Normalização”, disserta que, na contemporaneidade, diversos fatores contribuem para que as tomadas de decisões sejam feitas sem reflexão crítica das consequências. Desse modo, faz-se uma analogia aos casos de adolescentes grávidas que, sem informações sucintas sobre métodos de prevenção, acabam não refletindo sobre os riscos de uma relação sexual desprotegida e engravidando. Assim, a falta de diálogo com os jovens é preponderante para a evidência desse processo.
Ademais, a pobreza e a desigualdade social também elevam os índices desse fenômeno. Nessa ótica, uma realidade desfavorecida unida à tese do sociólogo Émile Durkheim de que o pensamento individual é moldado pelo coletivo são fatores de influência ao aparecimento de gravidez precoce. Dessa maneira, em locais marginalizados, principalmente, e com grande vulnerabilidade socioeconômica, os jovens tendem a ter baixa perspectiva de futuro, como a maioria dos moradores dessas áreas, e a agir de modo impensado, não se protegendo sexualmente e dando margem à fertilidade antes da maioridade. Logo, investir em conceder informações sobre o tema nessas regiões seria essencial para diminuir os casos.
Portanto, destaca-se, na sociedade brasileira, a evidência da gravidez na adolescência e a importância de minimizar os índices desse processo. Para isso, urge que o Ministério da Educação, por meio de emendas na Constituição aprovadas pelo Poder Legislativo, acrescente na Base Comum Curricular aulas de educação sexual — direcionadas, principalmente, a adolescentes periféricos —, com o intuito de informar os jovens, fazê-los refletir suas ações, reduzir os impactos da desigualdade social e diminuir a fertilidade precoce. Dessa forma, casos semelhantes aos de Marina, finalmente, tornar-se-ão escassos na conjuntura brasileira.