Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 31/10/2021
Ao se averiguar o contexto social hodierno, depreende-se que, embora tenha sido intitulado como “país do futuro”, pelo filósofo austríaco Stefan Zweig, o Brasil tem seu desenvolvimento obstado pelas implicações da gravidez precoce em território nacional. Funestamente, essa situação decorre, em grande parte, de duas consideráveis problemáticas: o tabu que cerceia a temática das relações sexuais e a evidente negligência governamental.
Em primeira instância, é fulcral considerar que o silenciamento de assuntos relacionados a sexo, principalmente nas escolas e no ambiente familiar, apresenta-se como um grande fator causador desse nefasto cenário, haja vista que acarreta desinformação dos jovens. Sob essa ótica, em razão da escassez da educação sexual e do acesso a informações sobre métodos contraceptivos, muitas mulheres engravidam precocemente e, por isso, precisam alterar seus projetos de vida, o que pode vir a suscitar perpetuação dos ciclos de pobreza, de desigualdade e de exclusão, abandono escolar e desenvolvimento de doenças psicológicas, como depressão. À vista disso, é indubitável que a desinformação se mostra como um grande desafio a ser superado pela nação verde-amarela.
Outrossim, ainda que se trate de um direito assegurado pela Constituição Federal de 1988, o acesso equitativo à saúde figura, muitas vezes, somente no plano teórico, conforme disserta o escritor Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”. Isso ocorre porque, em razão da displicência estatal para com a situação e da consequente falta de assistência às mulheres que engravidam na adolescência, parte do que a Constituinte prevê não é efetivada. Assim, em virtude da escassez de locais adequados para o acompanhamento médico das gestantes, muitas brasileiras são acometidas por complicações na gravidez, o que evidencia a premência da atuação dos órgãos do governo brasileiro na superação daquilo que o geógrafo Milton Santos definiu como “cidadania mutilada”, ou seja, sem efetivação de leis.
Diante do exposto, urge, portanto, ao Ministério da Saúde – órgão incumbido de garantir o direito dos cidadãos à saúde pública no país –, a criação de um projeto socioeducativo que elucide os jovens sobre a gravidez precoce e suas repercussões – por meio de palestras socioeducativas ministradas por profissionais de saúde qualificados – e que forneça assistência e atendimento médico gratuito a todas as jovens que estão vivenciando a experiência de se tornarem mães. Essa iniciativa terá a finalidade de desmistificar o sexo e reduzir os impactos da gravidez na adolescência e tornará possível a criação de meios propícios para que a teoria de Zweig se torne realidade serão construídos.