Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 02/11/2021

Nas telas, o filme “Juno” retrata o drama vivido por uma gravidez precoce entre adolescentes. Nesse contexto, a ficção se aproxima da realidade de milhares de brasileiras, cujas gestações imaturas tendem a conceber diversos impactos sociais negativos. Esse preocupante cenário é diretamente influenciado pela falta de informações, em especial, no sistema de ensino, o que enseja ações urgentes do poder público.

Primeiramente, vale destacar que a gravidez prematura expõe, principalmente, as famílias mais vulneráveis. Nesse viés, dados do IBGE apontam que a maioria das mães adolescentes tem poucos anos de escolaridade, é negra e vive em regiões menos desenvolvidas economicamente. Dessa forma, além das consequências imediatas para a futura mãe, como a evasão escolar, por exemplo, observa-se, também, um cenário adverso para seus respectivos filhos, diante de um possível desamparo estrutural parental em sua formação.

Nessa perspectiva, o papel do sistema educacional é inquestionável. Nesse sentido, bem argumenta o filósofo prussiano Immanuel Kant, para quem o grande segredo do aperfeiçoamento humano se assenta na educação. Entretanto, o ensino brasileiro falha pela sua abordagem superficial a esta importante temática, reflexo de tabus - como o sexo - não mais condizentes com o século XXI. Como consequência, problemas reais são ignorados pelo Estado e seguem as condições para perpetuação das desigualdades sociais, tão presentes na vivência nacional.

Portanto, a fim de informar e sensibilizar os adolescentes brasileiros sobre seriedade da gestação precoce, cabe ao Ministério da Educação, por meio da inserção na grade escolar de conteúdos sobre esse tema, oferecer informações mais aprofundadas sobre gravidez aos estudantes - nas aulas de biologia e sociologia, por exemplo-; outrossim, proporcionar condições especias de estudo às gestantes como forma de evitar a evasão escolar. Assim, dramas, como os vividos em “Juno”, serão mais facilmente vistos nas telas do cinema e não na realidade do Brasil.