Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 14/11/2021
Segundo o artigo 227 da Constituição Federal, é direito do adolescente a proteção contra toda forma de negligência. Entretanto, a premissa da Carta Magna não representa a realidade visto que problemas como a gravidez na adolescência perduram, a qual é derivada da negligência do corpo social com essa pauta e que pode gerar a evasão escolar e prejudicar psicologicamente as gestantes. Assim, cabe ao Estado e a sociedade se unirem para analisar a situação, a fim de revertê-la.
Dito isso, deve-se afirmar que a gravidez precoce pode contribuir para a evasão escolar de meninas. Diante disso, na série de TV “Malhação- Viva a diferença”, a personagem Keyla, ao engravidar, não consegue conciliar os estudos com a gravidez e, consequentemente, é condicionada a parar de ir à escola. Nesse contexto, a série se relaciona com a realidade brasileira que, infelizmente, conta com muitos casos de mães adolescentes. A exemplo disso, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, a cada seis nascimentos no Brasil, um é filho de mãe adolescente. Isso demonstra a possibilidade de evasão escolar por essas meninas, que assumem a responsabilidade de uma gravidez com uma idade inadequada, o que contribui para que a falta de informação, adquirida nas escolas, por exemplo, que poderia evitar uma gravidez precoce, continue ocorrendo.
Ademais, é válido destacar que as meninas e os meninos podem ser prejudicados psicologicamente devido à gravidez precoce. Nesse sentido, a gravidez na adolescência interrompe o processo de socialização secundária, caracterizada pela passagem da adolesência para a vida adulta. Sob essa ótica, a gravidez gera atribuições que não fazem parte do cotidiano de um adolescente, como a responsabilidade de cuidado com um bebê e as mudanças corporais e hormonais provocadas na gestante. Como consequência, os adolescentes com gravidez precoce podem desenvolver problemas psicológicos, como depressão e ansiedade, por terem uma adolescência fora da normalidade.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de valorizar a pauta da gravidez na adolescência. Para isso, é fundamental que as escolas- públicas e privadas- abordem com os alunos a educação sexual, por meio de rodas de conversa, que preservem o diálogo com os estudantes, de forma que que os riscos da gravidez precoce seja exposta, a fim de que a falta de informação não contribua para a evasão escolar. Além disso, é importante que as prefeituras disponibilizem unidades de saúde voltadas ao tratamento psicológico de adolescentes com gravidez precoce, para que os prejuízos à saúde mental desses jovens sejam evitados.