Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 19/11/2021
Segundo a Lei da Inércia, de Newton, um corpo permanece em repouso quando nenhuma força é exercida sobre ele. Fora da Física, é possível perceber a mesma condição no que concerne à questão da gravidez no período adolescente no Brasil, que segue sem uma intervenção que a resolva. Diante dessa perspectiva, essa questão configura-se como um grave obstáculo, em virtude da falta de debate e da baixa atuação estatal.
Sob essa análise, é possível destacar que a falta de debate acerca da gravidez precoce em adolescentes na sociedade brasileira é um fator consolidador do problema. Contrariando a frase do célebre filósofo Jürgen Habermas: “A linguagem é uma verdadeira forma de ação”, a cultura brasileira, em grande parte, prega a ignorância e trata a questão como algo trivial. Esse processo fortalece nos cidadãos a ideia de que o problema não existe e que não é necessário discutir a seu respeito. Como resultado, a problemática não é debatida de forma séria e massiva, e o cenário permanece no Brasil, o que contraria a proposição de Habermas.
Outrossim, é imperativo pontuar que os altos índices de gravidez na juventude de meninas no cenário brasileiro deriva da baixa atuação dos setores governamentais. Posto isso, segundo a Organização Mundial da Saúde, no Brasil, cerca de 7% das meninas de 15 a 19 anos engravidam na adolescência. Nesse sentido, é notável a ineficácia estatal em criar mecanismos para coibir o problema, visto que apesar de uma parcela significativa da população não ter suporte informacional para lidar com a situação e preveni-la, o Estado não atua sobre o problema. Com efeito, a realidade em que meninas ficam gravidas precocemente se tornará cada vez mais comum nos cotidianos dos cidadãos, ocasionando um sentimento de desamparo nas vítimas. Logo, faz-se necessária a reformulação da postura estatal de forma urgente.
Portanto, são necessárias medidas que atenuem a gravidez precoce em meninas adolescentes no Brasil. Desse modo, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve realizar ações pedagógicas com pais e alunos, por meio de palestras on-line e rodas de conversa, a fim de informá-los a respeito dos riscos da gravidez nesse período jovem e da necessidade do estabelecimento de um diálogo. Somente assim, será possível atenuar o cenário, oferecer suporte às vítimas, e adequar o Brasil a proposição de Habermas.