Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 16/06/2022
Em seu poema “Teologia do Traste”, o poeta pós-modernista Manoel de Barros expressa acerca da valorização de situações que são frequentemente esquecidas e ignoradas. Tomando como norte a máxima barrosiana, faz-se necessário, portanto, valorizar também a obtenção de informações a respeito da gravidez precoce e seus males, haja vista o crescente número de adolescentes grávidas no Brasil. Sob essa óptica, é lícito analisar os fatores que acarretam esse impasse.
Depreende-se, a princípio, que a desigualdade ao acesso à informação contribui para fomentar os altos índices de fertilidade entre adolescentes, uma vez que par-te da sociedade é favorecida, isto é, recebe informações sobre a gravidez precoce e suas consequências, sejam elas evasão escolar, risco à saúde, nascimento prema-turo etc, e a outra parcela da sociedade, que está inserida em uma conjuntura socioeconômica precária, não obtém esses conhecimentos. Segundo o filósofo John Rawls em sua obra “Uma teoria da justiça”, um governo ético é aquele que disponi-biliza recursos financeiros para todos os setores públicos, promovendo igualdade de oportunidades a todos os cidadãos. Todavia, tal incumbência governamental não está sendo concretizada, dado a disparidade em questão, sobretudo, no que tange a desigualdade digital, os quais muitos adolescentes não possuem acesso à equipamentos como computadores e celulares, bem como habilidades para aces-sar a internet, dessa forma, estes sofrem com a carência de conteúdos educativos e preventivos sobre a gravidez.
Outrossim, a falta de discussões nas escolas sobre educação sexual torna o pro-blema mais agravante. O filósofo Francis Bacon relaciona conhecimento ao poder, ou seja, reitera que o saber fornece meios para alterar o cenário vivido. Dessa forma, se muitas crianças e adolescentes não obtiverem esse tipo de aprendizado, que é essencial para a vida e, se este continuar sendo visto como um tabu no corpo social, dificilmente o panorama atual mudará.
Portanto, o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, deve promover projetos educativos sobre a gravidez precoce e educação sexual nas escolas. Ademais, o Estado, junto a ONGs, deve ofertar equipamentos digitais para comunidades pobres a fim de amenizar as desigualdades ao acesso à informação.