Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 25/07/2022
Na crônica “Eu sei, mas não devia”, a escritora Marina Colassanti elucida sobre como as mazelas sociais são tratas de forma banal. Essa obra pode, facilmente, ser relacionada à questão da gravidez na adolescência, dado que temas iguais a esse, atualmente naturalizados, não causam estranheza no Brasil. Cabe-se, então, analisar os aspectos socioculturais e a insuficiência informacional.
É importante considerar, a princípio, a falta de debate familiar. Conforme Talcott Parsons, renomado sociólogo, a família é uma máquina de produzir personalidades humanas. Sob tal perspectiva, se a gravidez na adolescência não é discutida nos lares ou em outros convívios sociais, ocorre a intensificação do revés, o que pode a sérios problemas, a exemplo da evasão escolar dos jovens. Logo, a falta de debate familiar com os adolescentes sobre questões relacionadas a gravidez na adolescência é inadmissível, visto que pode comprometer o futuro de muitos jovens.
Ademais, como catalisador da problemática, convém analisar a falta de informação sobre o assunto. Em relação a isso, José Saramago, ao conceituar a “Cegueira Moral”, afirmou que, fomentada pela restrição do acesso à informação pelos meios de comunicação, ela caracteriza a alienação da sociedade diante das demais realidades sociais. Em paralelo a esse contexto, uma vez que muitos adolescentes não têm a adjacência às questões da responsabilidade de cuidar de uma criança, eles tendem a ter filhos. Assim, é inaceitável que essa questão ainda perdure, pois aumenta o número de crianças que nascem sem os devidos cuidados dos pais.
Fica clara, portanto, a necessidade de medidas para conter essa problemática. Para tanto, o poder executivo, por intermédio de canais televisivos, deverá elucidar o assunto, mediante um pedagogo e um psicólogo, com o objetivo de mostrar as principais consequências da gravidez na adolescência e, mais detalhadamente, apresentar visão crítica e orientar os pais a discutirem com os filhos a respeito do tema. Desse modo, espera-se que esse tema deixe de ser, em breve, naturalizado, conforme propôs Colassanti.