Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 06/09/2022

O documentário “Meninas: gravidez na adolescência” retrata a dura realidade de garotas entre 13 e 15 anos que engravidam nas comunidades pobres do Rio de Janeiro e encaram o preconceito, a miséria e o futuro incerto que essa situação promove. Análogo a isso, a gravidez precoce gera problemas não apenas para os indivíduos envolvidos, mas também prejudica as esferas sociais, economicas e políticas do país. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores favoráveis a esse quadro.

Nesse viés, vale ressaltar a importância da religião cristã na formação cultural do Brasil, uma vez que essa doutrina trata os temas como sexo, gravidez e sexualidade com tabu e preconceito. De acordo com a socióloga Simone de Beauvoir, historicamente a mulher teve seu corpo e suas vontades maternas controladas pela cultura, mídia e religião, as quais impõem a exploração e escravidão do corpo feminino, impedindo o desenvolvimento de sua própria liberdade, escolhas e sexualidade. Assim, verifica-se que a gravidez precoce é também uma consequência da negligência estatal, religiosa e educacional para com a evolução de mulheres em setores financeiros, políticos e sexuais.

Outrossim, a falta de acesso a métodos contraceptivos eficazes e a desinformação potencializam o problema. De acordo com o site “G1”, o Brasil possui a maior taxa de nascimentos da América Latina 71 nascimentos a cada 1000 jovens, o que prejudica a saúde, o desenvolvimento acadêmico e perpetua ciclos de pobreza e más condições de vida. Logo, é inaceitável que adolescentes continuem tendo suas vidas prejudicadas por conta da negligência estatal em fornecer distribuição e informações sobre métodos contraceptivos para adolescentes e jovens.

Portanto, Estados e Municípios devem mudar a realidade da gravidez na adolescência no Brasil. Desse modo, o Tribunal de Contas da União deve destinar recursos para que o Ministério da Saúde crie programas focados em fornecer palestras, aulas e debates sobre o tema nas escolas estaduais, além de potencializar a distribuição em postos de saúde e locais públicos. Além disso, as prefeituras, por meio de postagens e vídeos, devem falar sobre o tema em mídias e redes sociais, visando evitar a desinformação. Posto isso, o Brasil será melhor.