Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 25/09/2022
Na série autobiográfica “Todo Mundo Odeia o Chris”, no episódio “Todo mundo odeia ovos”, Chris e uma colega, ambos adolescentes, recebem uma tarefa escolar cujo objetivo seria cuidar de um ovo por uma semana como se fosse um filho. Essa atividade se torna muito extenuante uma vez que busca demonstrar os desafios de uma possível gravidez nessa fase da vida. Assim como na obra cinematográfica abordada, observa-se que, no Brasil, a gravidez na adolescência se destaca como uma difícil realidade. Assim, faz-se necessário analisar os alicerces que sustentam essa problemática, a citar, a omissão estatal e a falha escolar.
Com efeito, convém salientar a indiligência governamental diante desse imbróglio social. Nesse viés, de acordo com o sociólogo Simon Schawrstzman, o Estado brasileiro passou a atuar de forma contrária aos anseios da sociedade, não efetivando direitos basilares, como o acesso pleno a saúde. Prova disso, é a escassez de serviços médicos pautados em um caráter preventivo e de atenção integral à menina e ao menino adolescentes para que possam planejar sua vida sexual e reprodutiva. Em decorrência disso, a gravidez na adolescência se torna um problema de saúde público, uma vez que a gestação nessa faixa etária é uma condição que eleva a prevalência de complicações maternas, fetais e neonatais.
Além disso, é cabível ressaltar o papel escolar como intensificador desse entrave. Em face disso, pontua-se a obra “Reinventar a Escola”, da teórica Vera Maria, na qual afirma que o sistema educacional brasileiro não oferece propostas significativas para as inquietudes hodiernas. Dessa forma, com aulas pautadas na memorização teórica de conteúdos as escolas deixam de abordar a educação sexual ao corpo discente. Diante disso, forma-se estudantes que desconhecem a correta utilização dos diversos metódos contraceptivos existentes.
Portanto, o Governo Federal deve criar mais unidades de sáude com equipes de médicos e de psicólogos para acompanhar e prevenir os casos de gravidez. Isso pode ocorrer por meio de um projeto de lei que vise a readequação de verbas da União visando a oferta de melhores serviços de sáude a essa parcela. Outrossim, as escolas devem ofertar feiras e distribuir fascículos que abordem essa temática com a finalidade de formar jovens conscientes dos riscos de uma gravidez nessa idade.