Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 09/04/2023
A idealização de Immanuel Kant da sociedade, que focava na educação, implicaria um mundo em que o aprendizado é suficiente para evitar ações prematuras. Essa perspectiva, no entanto, não se aplica à gravidez na adolescência que ocorre no Brasil atual. Prova disso são as duas principais causas dessa problemática: a composição neural do cérebro adolescente e a influência social na tomada de decisões.
Primeiramente, o cérebro juvenil não é capaz de tomar decisões completamente racionais por conta de sua estrutura. Nesse sentido, Andrew Huberman - doutor neurocientista em Stanford - afirma que o córtex pré-frontal, responsável pelo autocontrole, se desenvolve completamente aos vinte e cinco anos. Por isso, é irrealista propor que, mesmo com conhecimento sobre os malefícios, adolescentes tenham controle absoluto sobre seu comportamento. Ademais, essa relação entre o desenvolvimento cerebral é perceptível no que tange à gravidez precoce porque o entendimento sobre métodos contraceptivos não garante, por conta dos fatores discutidos anteriormente, o uso dos mesmos.
Em segunda análise, pressupostos impostos pela sociedade também afetam a solidificação da problemática. Torna-se relevante aqui o conceito de conformidade social proposto por Solomon que afirma a existência de “cordas sociais invisíveis” responsáveis pelo controle do comportamento humano. Esse conceito se relaciona à medida que aspectos como a pressão social persuadem os indivíduos, influenciando-os a agirem de maneira divergente. Assim, a pressão implícita de estar em uma relação romântica age como estopim, causando inicialmente apenas o início dessa relação, mas escala posteriormente e contribui para esse efeito.
Portanto, cabe a esse parágrafo uma discussão sobre medidas que visem atenuar o problema discutido. O Conselho Federal de Psicologia deve, em conjunto com o Governo, discutir sobre a conformidade social para garantir um maior livre arbítrio aos jovens por meio de aulas específicas. Detalhando, tal discussão seria feita em sala de aula e teria como tópico os problemas na imposição de preceitos individuais aos outros. Com isso, a contradição proposta na introdução será evitada e decisões com impacto permanente serão mais racionalizadas.