Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 10/06/2023
“É de natureza da cultura tornar natural o que não é”. Afirmação do historiador Leandro Karnal que caracteriza com excelência a problemática acerca da gravidez precoce no Brasil. Nesse sentido, tem como origem inegável o aumento na taxa de problemas de saúde entre jovens de 15 a 19 anos, e a maior problematização de questões sexuais no ambiente familiar. Sob essa óptica, não só o sistema de saúde falho, como a negligência familiar contribuem para a naturalização desse quadro impertinente.
Em primeiro lugar, Thomas Hobbes em sua obra “Leviatã”, faz alusão a um ser grandioso e poderoso, o qual tem função de proteger e assegurar o bem-estar daqueles seres de menor tamanho e poder. Dessa forma, o Estado tem função de comportar-se como o ser grandioso proposto por Hobbes, promovendo o melhor para a sociedade. No entanto, esse encargo é falho, e pode ser percebido a partir de pesquisa da OPAS, onde relata-se que a mortalidade materna é uma das principais causas da morte de adolescentes e jovens de 15 a 24 anos, na região das Américas, ademais a declaração da diretora da instituição, Carissa F. Etiennedo, afirma que os descendentes de uma gravidez na adolescência têm maior risco de ter uma saúde mais frágil e cair na pobreza, fatores que problematizam o Governo.
Entretanto, não só a ineficácia governamental, mas também o negacionismo familiar colaboram com a evidência desse cenário no país. Situação ocorrente em filmes e séries como “Sex Education”, onde a personagem principal, Maeve, sofre com uma gravidez indesejada e é forçada a passar por um aborto sem apoio parental, devido a ausência de diálogo. Logo, torna-se fundamental a participação dos membros do lar em assuntos que tangem à gravidez e ao sexo, para que esse assunto presente na nação seja tratado com a devida importância.
Portanto, cabe ao Governo Federal investir em reformas na atuação do Ministério da Saúde e da Educação, como por exemplo a fundação de centros de atendimentos especializados em jovens e adolescentes, que proporcionem palestras educativas e acesso a especialistas, afim de atenuar a taxa de gravidez precoce no Brasil. Ainda, no âmbito familiar, a conversa sobre o que concerne aos cuidados em relações sexuais deve ser recorrente, assim o quadro será combatido.