Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 26/09/2023
No conto “Quantos filhos Natalina teve?”, presente na obra literária Olhos d’água de Conceição Evaristo, há o retrato da gravidez na adolescência atrelado ao cenário sociocultural degradante vivido pela protagonista. Distante das páginas, pode-se destacar que essa realidade está em evidência no Brasil devido à miséria social e à negligência estatal.
Deve-se pontuar, a princípio, que o aumento dessa problemática ocorre pela precária condição socioeconômica vivenciada pelos adolescentes. Nessa perspectiva, tal miséria propicia a baixa escolaridade, pois diversas jovens -devido à falta de incentivo aos estudos- não recebem estímulos pedagógicos e culturais para ver a educação como meio de ascensão social. Desse modo, são inseridos precocemente ao mundo maternal e tornam-se submetidas a mínimas possibilidades de interrupções da gravidez pelo aborto, já que pela situação financeira, correm riscos com o difícil às clínicas abortivas.
Ademais, é imperativo pontuar o tabu da sexualidade presente na conjuntura social (família e escola) e estatal. Sob essa perspectiva, segundo o filósofo Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças estruturadoras da sociedade. Esse panorama auxilia na análise da questão, visto que esse tabu e permeado com o errôneo achismo da educação sexual ser reponsável por estímular os infantojuvenis ao meio. Em consequência, o adolescentes encontram-se alheios aos métodos contraceptivos e são impedidos da preparação para uma vida sexual segura, impossibilitanto a conscientização e responsabilidade.
Depreende-se, portanto, que medidas sejam efetivadas. Para tanto, cabe ao Poder Executivo, em parceria com o Ministério da Educação, promover a ampliação do acesso à educação em classes mais baixas, por meio do destino de subsídios para a criação de mais escolas em áreas periféricas, de maneira a efetivar o acesso de todos à educação de qualidade e possibilitar a ascenção social -uma vez que a escola possui forte poder transformador- . Além disso, urge que as intituições de ensino e ONG´S proporcionem campanhas elucidativas a respeito da educação sexual, mediante profissionais da saúde e psicólogos, a fim de desmitificar o tabu da sexualidade no âmbito familiar e escolar. Feito isso, a realidade distanciar-se-á do que fora retratado em ‘‘Olhos d’água"