Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 14/10/2023
O documentário “Meninas”, dirigido por Sandra Werneck, apresenta a história de quatro garotas que têm suas vidas mudadas pela chegada de um filho. Parale-lamente, dados da OMS indicam que o Brasil é um dos países com maiores índices de gravidez na adolescência do mundo, o que atesta que as meninas da produção brasileira são uma metonímia da sociedade. Com efeito, é fundamental analisar os principais propulsores desse cenário: a desigualdade social e a lacuna educacional.
Diante desse cenário, a estratificação social é um fator atenuante da gestação na adolescência. Sob essa ótica, é possível validar o conceito de “Dois Brasis”, de Ariano Suassuna, no qual o autor distingue duas realidades brasileiras: a dos privilegiados e a dos despossuídos. Nesse viés, a gravidez na juventude é mais frequente no contexto dos despossuídos, posto que crescer sem uma base familiar consolidada ou recursos se tornou comum nesse cenário. Dessa forma, a gestação indesejada perdura como um obstáculo na vida de milhares de meninas.
Ademais, as falhas no sistema de ensino impulsionam as taxas de gravidez na adolescência. Consoante o filósofo Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Nessa perspectiva, a escola é uma das maiores responsáveis sobre a formação do indivíduo, e a falta da educação sexual afeta diretamente a segurança das crianças e adolescentes, haja vista que os deixa vulneráveis perante abusos e assédio, já que não aprendem os limites do próprio corpo e de terceiros. Logo, ao se ausentar dessa responsabilidade, as escolas impulsionam os casos de gestação que são decorrentes de abuso sexual de jovens.
Torna-se evidente, portanto, que a desigualdade social e a lacuna educacional promovem a gravidez na adolescência. Desse modo, cabe ao Estado - entidade de máximo Poder Executivo - prover orientação e anticoncepcionais acessíveis, por meio de acompanhamento ginecológico para todas as idades em subúrbios, com o fito de mitigar as diferenças sociais que acarretam o alto índice de gravidez na adolescência. Ademais, convém que o Ministério da Educação - responsável pela gestão educacional - adicione aulas de educação sexual nas escolas, por intermédio da BNCC, a fim de diminuir os índices de gestação de jovens. Assim, é possível tornar os casos de “Meninas” em exceções.