Guerra entre Rússia e Ucrânia: impactos do conflito no Brasil e no mundo
Enviada em 04/06/2022
Segundo o sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman, as crises que acometem os países e as sociedades não são responsáveis por mudar o mundo, e sim a forma que as pessoas no geral reagem a elas. Dessa maneira, a atual guerra entre Rússia e Ucrânia no leste europeu tem grande impacto mundial, inclusive, com impactos na economia brasileira, sejam eles positivos, sejam eles negativos.
Notoriamente, a Rússia é uma das grandes potências mundiais, com grande participação na exportação de produtos diversos, e é responsável, juntamente com a Ucrânia, pelas maiores exportações de milho. Entretanto, com os constantes ataques em território ucraniano, o mercado exportador de milho mundial foi afetado, o que faz com que os países importadores busquem novos fornecedores. O Brasil, porém, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também tem nítida produção e exportação de milho, sendo assim, ele se torna uma alternativa como provedor desse vegetal, com possibilidade de ampliar seu mercado externo e suas relações com outros países. Mas isso demandaria uma maior produção brasileira, além de poder diminuir a distribuição interna e, consequentemente, aumentar os preços em cima do cereal.
Por outro lado, ainda a respeito de importações, segundo a Ipea, a Rússia exerce um papel importante na exportação de fertilizantes para o Brasil, o que corresponde a cerca de 56% dos produtos russos importados ao Brasil. Nesse sentido, a diminuição da compra do produto russo, semelhante às sanções feitas pela União Europeia, apresentaria dificuldades ao Estado brasileiro para a substituição dessa oferta. Além disso, todo o setor agrícola do país seria prejudicado, com a possível redução da safra e, consequentemente, uma crise com a inflação dos preços.
Nesse contexto, cabe ao Ministério da Agricultura promover e estimular a plantação e produção brasileira de milho, por meio de incentivos financeiros e fornecimento de equipamentos especializados. Para que assim, o mercado interno e externo brasileiro possa se beneficiar, sem consequências prejudiciais, em reação aos problemas surgidos durante esses momentos de crise, tal como dito por Bauman.