Guerra entre Rússia e Ucrânia: impactos do conflito no Brasil e no mundo
Enviada em 06/06/2022
Uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia pode ter efeitos econômicos a mais de 10.000 quilômetros de distância. O Brasil pode sentir os efeitos do conflito por pelo menos três canais: combustível, alimentos e câmbio. A instabilidade no Leste Europeu não afetará apenas a inflação, mas também poderá levar a novos aumentos nas taxas de juros, reduzindo espaço para melhorias nos preços e no consumo, comprometendo o crescimento econômico neste ano. A agitação na Ucrânia deve aumentar a incerteza que tomou conta da economia global nos últimos meses, de acordo com uma pesquisa latino-americana divulgada esta semana pela Fundação Getulio Vargas (FGV). No Brasil, o impacto deve ser mais forte. Uma das razões é que há maior exposição aos fluxos financeiros globais do que o resto da América Latina, o dólar se valorizou e as ações caíram mais do que a média do continente. A própria pesquisa consultou 160 especialistas em 15 países e descobriu que o ambiente econômico estava se deteriorando. Do quarto trimestre de 2021 ao primeiro trimestre deste ano, o índice de sentimento econômico da América Latina caiu em média 1,6 ponto, de 80,6 pontos para 79 pontos. No Brasil, o indicador caiu 2,8 pontos, de 63,4 para 60,6, a menor pontuação entre os países pesquisados.
Outro canal pelo qual a guerra no Leste Europeu afetou a economia brasileira foi a alimentação. A Rússia é o maior produtor mundial de trigo. A Ucrânia ocupa o quarto lugar. Nesse caso, o Brasil não pode contar com outros mercados, pois a seca na Argentina, tradicionalmente o maior exportador de grãos para o Brasil, está afetando a safra local.
No entanto, se o dólar continuar subindo e a inflação não tombar, o banco Central pode ser obrigado a aumentar a taxa Selic a taxa básica de juros da economia) mais do que o esperado. Nesse caso, o crescimento econômico deste ano seria ainda mais afetado. Na última edição do boletim Focus, levantamento semanal de entidades financeiros divulgado pelo banco Central, analistas de mercado elevaram a previsão oficial de inflação anual para 5,56 % em 2022.