Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 15/05/2020

Em um mundo cada vez mais competitivo e exigente, nem todas as pessoas possuem acesso a cursos e qualificações para adquirir novas habilidades e competências para se inserirem no mercado de trabalho. Nesse contexto, a perpetuação dessa realidade reflete um quadro desafiador para parte da população brasileira, cujas raízes desse problema encontram-se atreladas à ineficiência estatal, acentuando a desigualdade social já demasiada do país.

Mormente, é justo reconhecer as iniciativas do Poder Público que visam prover cursos e qualificações para o população de baixa renda, a exemplo do PRONATEC, iniciativa a qual concede bolsas parciais e integrais para a população. Entretanto, apenas isso não é suficiente para atenuar essa problemática, uma vez que esse programa pouco incentiva, e não financia, o estudante a continuar adquirindo novas habilidades para se inserir em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo. A esse respeito, o sociólogo polonês Zygmunt  Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida”, que algumas instituições, a exemplo do Estado, perderam sua função social, mas tentam conservá-la a todo custo, sendo denominadas “instituições zumbis”. Destarte, diante dessa inefetividade estatal, parte da população que não possui renda para se qualificar terá de conviver sem a possibilidade de se aprimorar.

Consequentemente, essa problemática acentua ainda mais a desigualdade social brasileira. Isso ocorre porque, ao não conseguir se qualificar, o indivíduo terá de competir de por vagas de trabalho cujos concorrentes podem ter tido condições financeiras para pagar cursos qualificantes, o que dificultará a contratação dessa pessoa. Esse panorama pode ser observado no conceito de “seleção”, elaborado pelo biólogo naturalista Charles Darwin, no qual o indivíduo mais adaptado obtém sucesso evolutivo, enquanto o menos adaptado será extinto. Tristemente, esse cenário apenas contribui para o desemprego entre a população mais pobre e contribui para um dos mais problemas históricos brasileiros: a discrepância de renda.

Urge, portanto, uma solução para esse problema. Para isso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura(MEC), instituição a qual tem autonomia sobre a educação no Brasil, melhorar programas de educação técnica e profissionalizante de baixa renda, como o supracitado PRONATEC, com a inserção de especialização nos cursos já existentes. Tal ação governamental deverá ser financiada mediante a concessão de dinheiro, o qual deve ser retirado da Secretária do Tesouro Nacional, além de fornecer bolsas para estudantes de baixa renda que devem responder um questionário socioeconômico. Assim, poder-se-á atenuar essa problemática e ir a favor de uma sociedade mais justa e igualitária.