Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 13/05/2020

Sempre que depois de uma grande catástrofe no mundo, ato contínuo, acontece uma aceleração no desenvolvimento. Foi assim, por exemplo, após a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945). Nesse contexto, a pandemia provocada pelo covid-19 poderá aumentar a velocidade da utilização da inteligência artificial que vinha em curso. Diante desse fato, o mercado passará a exigir dos profissionais habilidades e competências para esse cenário que ora se antecipa. Porém, cabe análise se o trabalhador brasileiro está preparado e quais as consequências disso tudo.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a quarta revolução industrial exige que os indivíduos estejam conectados por meio da alta tecnologia no dia a dia. Embora o conhecimento seja importante, não é suficiente. É preciso, pois, resiliência para se desenvolver e se ajustar às novas necessidades. Nesse contexto, a empresa Zoom é um caso exemplar. Segundo o Jornal o Estadão, “O app da Zoom de chamadas de vídeo cresceu 19 vezes em meio à quarentena e durante esse inesperado crescimento fez correções nas falhas de segurança”. Esse fato ensina que é preciso atitude para se preparar e se ajustar ao mercado cada vez mais seletivo e exigente. Por sua vez, as autoridades responsáveis pela educação têm que sair da inércia e ajudar o brasileiro, que têm dificuldades, a superar esse desafio.

Ademais, outro efeito é a inserção dos trabalhadores menos qualificados no mercado informal sem qualquer garantia trabalhista. Nesse aspecto há um paradoxo, enquanto se exige alta qualificação nas profissões, simultaneamente, absorve-se indivíduos com baixíssima preparação. De acordo com a revista Exame, “A quarentena e o isolamento social acelerou, no mês de março, o crescimento de 50% nos pedidos por “delivery”. Esse fato demonstra o aumento do trabalho precário que se aproveita para crescer durante a crise. Desse modo, vê-se que o futuro também traz contradições. Destarte, acentua o nefasto abismo entre pobres e ricos.

Infere-se, portanto, que as profissões exigirão habilidades e competências vinculadas ao domínio da tecnologia. Contudo, trabalhos precários como de entregadores ainda serão indispensáveis. À visto disso, será preciso que o Congresso Nacional e o Ministério da Educação atuem nas duas frentes: que o primeiro regulamente a lei que protege o trabalhador informal, equiparando-o a situação análoga ao do empregado; que o segundo promova curso profissionalizantes nas escolas e ensinem aos alunos e trabalhadores a utilizarem ferramentas de alta tecnologia. Assim, eles adquirirão as habilidades que satisfaçam às exigências do mercado. Com isso, elevar-se-á a competência do brasileiro às novas oportunidades, além da proteção trabalhista aos menos capacitados.