Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 17/05/2020

O filme Tempos Modernos de Charlie Chaplin mostra a repetição constante do trabalho, a qual o homem era submetido na Segunda Revolução Industrial. Diferente daquele contexto, hodiernamente, o setor empregatício exige maior flexibilidade de seus trabalhadores, por isso a importância da construção de novas habilidades e competências para os profissionais do futuro. Tais aspectos, na atual realidade brasileira, parecem não ser prioridade pública, haja vista a educação conservadora e deficitária do país, o que reduz a competitividade dos trabalhadores brasileiros, necessitando de ser superada.

Em primeira análise, é preciso ponderar a escassez de incentivo à educação tecnológica nas escolas brasileiras. Segundo o filósofo francês, Pierre Bourdieu, a educação conservadora limita o acesso populacional às ferramentas de construção do conhecimento. Nesse sentido, a carência de instrução dos discentes quanto ao uso das novas tecnologias, a exemplo da reduzida educação digital - embora 81% das escolas públicas brasileiras tenham laboratório de informática, somente 59% os utilizam, segundo o CETIC - dificulta a construção de habilidades exigidas pelo mercado de trabalho, como o uso de “softwares” básicos, entre os alunos - futuros profissionais. Isso revela o descaso público com a preparação dessa nova classe de trabalhadores.

Outrossim, o déficit de recursos materiais e humanos agrava esse quadro. Não raro, os jornais denunciam os colégios públicos pela falta de materiais e professores especializados em áreas de tecnologia e comunicação, exemplo de robótica e línguas estrangeiras - somente 39% dos professores brasileiros de inglês têm formação específica para o idioma, segundo o Instituto de Pesquisa Plano CDE. Essa triste realidade, por vezes, inviabiliza a construção das competências necessárias para o futuro exercício profissional dos estudantes, devido à falta de orientação e de prática adequadas.

Dessa forma, é mister que o Estado brasileiro tome medidas diligentes que promovam a construção de tais conhecimentos nos discentes. Destarte, o Ministério da Educação deve, mediante audiências e debates públicos, modificar a Base Nacional Comum Curricular, tornando obrigatório, tal como ocorreu com a língua inglesa, o ensino digital nas escolas brasileiras, a fim de solidificar, nos alunos, as habilidades exigidas pelo mercado produtivo. Por fim, o Governo Federal, associado às Secretarias de Educação e ao segmento privado, deve ampliar os espaços de qualificação, como os cursos de pós-graduação nas área de tecnologia e idiomas, para os professores, por meio plano de investimento a médio e longo prazo, objetivando uma educação menos conservadora com a instrução de maior qualidade dos estudantes, tornando-os mais atrativos ao mercado de trabalho competitivo.