Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 25/05/2020
A Indústria 4.0 surgiu como expressão englobadora da intermodalidade de tecnologias que usa do conhecimento em detrimento de força física, sinal do mercado de trabalho cada vez mais especializado. Nesse contexto, no hodierno cenário nacional, enfrentam-se impasses para romper com a não garantia de habilidades e competências para inclusão de indivíduos nas profissões do futuro, fenômeno complexo e multifacetado. Com efeito, é possível ressaltar, ora a exclusão digital de fração da população, ora a má qualidade do ensino público como causas frente ao emergente fenômeno.
Em primeira análise, de acordo com a teoria da nova distribuição internacional do trabalho (DIT) - consequência da globalização - o rápido avanço tecnológico é predominante nas potências do norte, que submetem países do sul à disponibilização de matéria-prima e trabalho barato, caracterizados pela industrialização tardia. Sob esse viés, é possível depreender que a tecnologia adquire, progressivamente, papel de importância, por isso, a questão se concentra na parte da população que nunca teve acesso à ferramentas que virão a ser essenciais no futuro. Portanto, essa problemática remonta um temor pela desaprovação desses indivíduos no mercado trabalhista e, por conseguinte, aumento de taxas de desemprego.
Ademais, a atuação de ensino de má qualidade está ligada a não ampliação de profissões do futuro acessíveis. Consoante dados do relatório de 2014 da Unesco (Organização das nações unidas para educação, ciência e cultura), 22% dos alunos da rede pública no Brasil saem das escolas sem capacidades básicas de leitura e matemática. O recurso apresentado é fundamental para a compreensão de como um ensino inapropriado dificulta a inclusão em universidades e capacitação para cargos do futuro. Por fim, a falta de investimentos destinados a esse campo, reflexo de negligência governamental, pode levar a formação de indivíduos inaptos para vagas cada vez mais qualificadas e potencial para realizar tal transformação social.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater as causas que impedem o equilíbrio de habilidades e competências para profissões do futuro. Para tanto, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia usar maior fração de tributos da Receita Federal para disponibilizar computadores e meios tecnológicos à fração da população universitária que carece desses meios para estudo, além de aulas em áreas carentes com técnicos do ramo de como usar tais meios a seu favor, como forma de impedir perpetuação da exclusão digital. Paralelamente, investimentos na educação pública devem vir por meio do Ministério da Educação, seja na infraestrutura, seja nos materiais ofertados, melhor capacitando a população infantil e jovem para acesso a universidades e vida equilibrada no mercado do futuro.