Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 02/06/2020
É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito das barreiras educacionais e sociais, responsáveis por dificultar o desenvolvimento de habilidades e competências indispensáveis as futuras profissões. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também
De início, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas, em relação ao desemprego causado pela automação, fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar essa mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), os quais apontam que mais da metade dos trabalhadores brasileiros perderão seus empregos para máquinas nos próximos 30 anos, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nas ações político-sociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e as consequências dos acontecimentos supracitados possam ser mitigados.
Outrossim, o ultrapassado modelo educacional de muitas instituições de ensino contribui para a acentuação da problemática. Ocupando a sétima posição no ranking de economia mundial, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública efetivo e qualitativo. A realidade, entretanto, é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado nos mais diversos cenários nos quais os jovens encontram dificuldades de se adequarem aos novos moldes do mercado de trabalho, pois este requer habilidades nunca antes desenvolvidas no âmbito escolar. Diante disso, medidas devem ser adotadas com o intuito de reverter essa realidade.
Logo, para que o triunfo sobre as adversidades que dificultam o pleno desenvolvimento estudantil e suas novas características seja consumado, urge que o Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova uma reformulação educacional, de modo a diversificar e enriquecer a jornada estudantil. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante novos modelos de ensino, com o fito de padronizar a boa qualidade da educação no país. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados no ensino fundamental, com o objetivo de trabalhar e lapidar características como a criatividade e a capacidade de reinvenção. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.