Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 09/06/2020
Secularmente, a perspectiva sobre o trabalho passou por diversas mudanças. Durante a Idade Média, ter “sangue azul”, terras e muitos servos definiam uma posição -politica e econômica- privilegiada na estrutura social. Entretanto, com a formação das cidades, ascenderam-se os burgueses, que - por sua vez- trouxeram uma visão positiva do trabalho, como uma forma de aproximação a Deus, segundo a ética protestante. Na pós-modernidade, há mais um novo olhar para o labor, tendo como suporte a tecnologia e exigindo -dos indivíduos- habilidades e competências cada vez mais especializadas, até que - em um futuro não tão distante - ocorra o surgimento de uma nova concepção.
Essa dinâmica sobre o trabalho está conectada com o conceito de “Ideologia” dado por Marilena Chauí- em seu livro ‘‘O que é Ideologia’’-, pois - como evidencia a filósofa- o trabalho influencia- de certa maneira- o ocultamento da realidade, a fim de assegurar e manter a exploração econômica, a desigualdade social e a dominação política. Isso porque sempre houve uma divisão de afazeres de acordo com uma hierarquia social. Assim, as atividades menos prestigiadas sempre foram destinadas às camadas mais populares, para que houvesse o fortalecimento da ideologia. Com o crescimento do uso de máquinas para efetuarem o trabalho destinado à classe desfavorecida, houve um aumento exponencial no desemprego, visto que quem realizava essa tarefa, não pôde investir em um aprofundamento para ocupar um novo cargo.
Embora a inserção da tecnologia pareça prejudicial para o setor profissional, se for atrelada a um novo projeto que especialize todos os tipos de mão de obra, essa ciência pode ser um suporte de muita valia para o desenvolvimento econômico, desde que não invada o âmbito pessoal, de modo a fragmentar os laços sociais, como - de maneira eloquente- é retratado na séria distópica “Black Mirror”.
Portanto, para que as profissões do futuro possam ser preenchidas por todas as classes, é necessário que a tecnologia seja um suporte e não a ruína dos menos favorecidos. Isso só será possível se as empresas empregadoras investirem em projetos de especialização, com cursos que insiram e adaptem o trabalhador ao seu espaço de labor. Isso pode ser feito por meio de seleções de profissionais pautadas no desenvolvimento de atributos humanos essenciais, como a criatividade e a inteligência emocional para lidar com adversidades na rotina de trabalho. Dessa forma, as habilidades e competências poder-se-ão cada vez mais adaptadas para um novo olhar sobre o trabalho no futuro.