Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 29/06/2020

Em “Tempos Modernos”, Charles Chaplin teceu uma crítica ao modo de produção fordista, o qual está relacionado à repetição de funções do trabalhador. Esse cenário, por sua vez, apresentava-se antiquado, segundo à ótica de Chaplin, e, portanto, precisava-se ser substituído por processos mais modernos. Nessa perspectiva, torna-se importante analisar a questão das habilidades e competências para as profissões do futuro. Desse modo, nota-se o mundo do trabalho alinhado aos processos permeados pela internet, como também uma dissonância ante a Constituição cidadã e a realidade.

A priori, Heidegger, filósofo alemão, alertou, em 1950, sobre uma crescente utilização de inovações tecnológicas, as quais tornariam-se uma maneira preponderante de pensar. Prova disso, é influência, na pós-modernidade, dos computadores conectados via rede no mundo orgânico do trabalho, ao passo que a exigência por conhecimentos técnicos-informacionais são competências essenciais para o trabalhador hodierno qualificado. Dessa maneira, observa-se que a conexão à internet influencia nas habilidades profissionais do indivíduo e, devido à conjuntura computacional, tende a ser mais prevalente, de acordo com o pensamento de Heidegger.

Outrossim, a Constituição de 1988 estabelece que o Estado possui o dever de garantir um ambiente propício para o desenvolvimento do cidadão. No entanto, a realidade demonstra uma contrariedade, seja pelo fomento a educação tecnicista que destoa de uma pedagogia mais libertadora- a qual incentiva o pensamento analítico- como defendia Paulo Freire, seja pela falta de acesso pleno à internet, nas camadas sociais mais carentes. Diante dessa lógica, é bom salientar que um indivíduo instruído por métodos pedagógicos, que destoam de uma educação arcaica, estão mais alinhados às habilidades das profissões do futuro, dado que tais processos exigem uma instrução com ensinos direcionados à informática e à criatividade, por exemplo. À vista disso, verifica-se uma não consonância perante os dispositivos constitucionais e a narrativa factual.

Logo, é importante que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva políticas públicas por meio de verbas governamentais, com o intuito de os emblemas associados às competências e às habilidades do futuro sejam mitigados. Assim, é imprescindível que esses programas sejam feitos da seguinte forma: elaborar, aliado à mídia, campanhas publicitárias, mediante depoimentos de pedagogos, que denotem a importância de uma pedagogia que estimule um pensamento analítico; realizar salas de acesso gratuito à internet em regiões mais pobres, com a utilização de um mapeamento logístico que demonstre tais localidades. Dessa forma, resolver-se-ão as situações relacionadas a essa questão no tecido social hodierno.