Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 30/06/2020
Em ’’ Tempos Modernos’’, Charles Chaplin tece uma crítica sobre o modo de produção fordista, o qual é caracterizado pela repetição das funções do trabalhador. Em vista disso, percebe-se um cenário, segundo à ótica de Chaplin, obsoleto que necessitava ser substituído por modelos produtivos mais modernos. Nesse sentido, urge a importância de analisar a questão das habilidades e competências para as profissões do futuro. Desse modo, nota-se não só o mundo do trabalho alinhado à conexão via internet, como também uma dissonância perante os dispositivos constitucionais e a realidade exposta.
A princípio, Heidegger, filósofo alemão, alertou, em 1950, sobre um crescente pensamento computacional, o qual tornaria-se uma forma prevalente de pensar. Tanto que, na contemporaneidade, percebe-se que várias interações sociais, como as relações trabalhistas, são permeadas pela internet. Prova disso, a informação, processada em tempo real, permite uma flexibilização da jornada de trabalho e, consequentemente, o foco desloca-se do processo produtivo e assenta-se no produto final, destoando-se da clássica visão fordista. À vista disso, observa-se o mundo orgânico do trabalho alinhado com as inovações proporcionadas pela conexão via rede.
Outrossim, a Constituição de 1988 declara que é dever do Estado garantir o desenvolvimento do cidadão. No entanto, a realidade ecoa uma contrariedade, seja pela falta de acesso pleno à internet, nas camadas sociais mais pobres, seja pela permanência de um ensino tecnicista, o qual não estimula o conhecimento analítico. Essa situação, por sua vez, não dialoga com as competências e as habilidades para as profissões do futuro, uma vez que é essencial o saber tecnológico e informacional, nas relações pós-modernas do trabalho, além de o conhecimento cognitivo analítico para compreender o processo produtivo computadorizado, por exemplo. Dessa maneira, verifica-se uma não consonância ante a Carta Magna e a narrativa factual.
Logo, é importante que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo desenvolva, por meio de verbas governamentais, políticas públicas, com a finalidade de mitigar os emblemas relacionados com as habilidades e competências para as profissões do futuro. Assim, é imprescindível que esses programas sejam feitos dessa forma: desenvolver salas de acesso gratuito à internet em regiões carentes, mediante a um mapeamento logístico que demonstre tais localidades, a fim de que todos possam desenvolver um pensamento computacional: elaborar, aliada à mídia, campanhas publicitárias, com a utilização de depoimentos de pedagogos, com o intuito de demonstrar a importância do pensamento analítico no espaço laboral. Dessa forma, resolver-se-ão os problemas associados a essa questão no tecido social hodierno.