Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 30/06/2020

Em “Armas, Germes e Aço’’, Jared Diamond elucidou que tais elementos aceleraram os processos socioeconômicos que estavam em curso. As Revoluções Industriais, por sua vez, transformaram as relações do mundo orgânico do trabalho, ao passo que modos produtivos tornaram-se obsoletos e, consequentemente, novas relações de produção foram apresentadas. Nessa lógica, urge a importância de analisar a questão das habilidades e competências para as profissões do futuro. Dessa maneira, observa-se não só a exclusão digital como uma ferramenta que limita a oportunidade de muitos indivíduos, como também uma dissonância ante a Carta Magna e a realidade exposta.

A princípio, Heidegger alertou que o crescente pensamento computacional seria uma maneira prevalente de pensar. Prova disso, as relações sociais são, majoritariamente, gerenciadas pela web, de uma forma que influencia, graças à interatividade, o mundo do trabalho. Em vista disso, torna-se importante o trabalhador desenvolver competências relacionadas ao domínio da informática, entretanto, segundo dados do IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas- um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet e, portanto, estão excluídos do processo laboral tecnológico. Desse modo, ao compreender, intuitivamente, que tal cenário presente, conectado via rede, tornar-se-á preponderante no futuro, nota-se que a exclusão digital é um dilema que precisa ser solucionado.

Outrossim, o filósofo Henrique de Lima, no ‘‘Enigma da Modernidade’’, expõe que apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. Tanto que pode-se traçar um paralelo entre a Constituição Cidadã- a qual estabelece que é dever do Estado fomentar um ambiente propício à qualificação profissional do indivíduo- e a realidade que demonstra uma contrariedade, seja pela permanência nas escolas do ensino tecnicista que não dialoga com um visão analítica do processo produtivo, seja pela inoperância dos governantes para modificar esse panorama. À vista disso, verifica-se uma dissonância entre a Carta Magna e a narrativa factual.

Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, é fundamental que o Poder Executivo realize políticas públicas por meio de verbas governamentais, com a finalidade de mitigar os problemas alinhados à profissão do futuro. Assim, esses programas serão feitos da seguinte forma: criar salas de acesso gratuito à internet em comunidades carentes, mediante a disponibilização de cursos profissionalizantes, com o intuito de capacitar os indivíduos que vivem na exclusão digital; elaborar, aliado à mídia, campanhas publicitárias, com a utilização de depoimentos de pedagogos, a fim de demonstrarem a importância do estímulo ao pensamento analítico nas habilidades profissionais. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas associados a tal questão no tecido social pós-moderno.