Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 05/07/2020

Tempos Modernos, clássico do cinema protagonizado por Charlie Chaplin, é um retrato da sociedade americana, que expõe a gradativa substituição do trabalho humano pelas máquinas. Embora inserido no contexto da década de 30, a escassez de habilidades necessárias para as profissões do futuro, evidenciada no longa, ainda é uma problemática indissociável da realidade brasileira. Assim, é lícito inferir que a defasada educação nacional - oriunda do descaso das instituições escolares com a modernização no processo pedagógico - e as disparidades sociais são agentes perpetuadores do danoso panorama.

A priori, é fulcral perceber que a educação obsoleta representa um significativo entrave para o avanço da nação. Consoante o psicólogo Augusto Cury, o sistema educacional não atende às necessidades da vida moderna. Isso porque, ao ministrar aulas conteudistas e pouco voltadas para o desenvolvimento do pensamento crítico, da criatividade e do uso de ferramentas tecnológicas, a escola contribui para a formação de cidadãos despreparados para as profissões contemporâneas. Por conseguinte, a falta de mão de obra especializada fomenta a estagnação econômica do país frente ao cenário internacional.

Outrossim, cabe ressaltar como a distribuição assimétrica de renda colabora para a persistência da questão. Segundo o sociólogo Thomas Marshall, é dever do Estado proporcionar iguais condições de ascensão para os indivíduos da sociedade. Entretanto, tal lógica é contrariada à medida que jovens de baixa renda têm o acesso à universidade dificultado e suas chances de inserção competitiva no mercado de trabalho vigente são tolhidas, em função das precárias condições de capacitação oferecidas pelo ensino público. Desse modo, classes menos favorecidas permanecem as mais afetadas pelo desemprego estrutural e as desigualdades sociais são perpetuadas.

Portanto, urge que o Governo Federal, em par com o MEC e as instituições escolares, crie o Programa Nova Escola (PNE), o qual deverá instituir a obrigatoriedade da disciplina de informática – base para diversos empregos hodiernamente - no currículo escolar, dos anos iniciais até o ensino médio, a fim de cultivar as competências essenciais para o campo de trabalho atual. Isso pode ser efetivado por intermédio de aulas expositivas e oficinas com atividades práticas, que estimulem o contato do estudante com a tecnologia, e a capacitação dos professores para a utilização das novas ferramentas. Feito isso, o quadro exposto por Cury poderá ser revertido.