Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 22/07/2020
O século XXI é marcado por inúmeras evoluções técnico-científicas que potencializam a incidência de alterações na lógica de trabalho que rege a produção de capital no mundo. Isso posto, projeta-se, hodiernamente, a ocorrência de transformações nas habilidades e competências essências aos profissionais do futuro. Nessa perspectiva, cabe uma análise sócio-histórica das revoluções trabalhistas e seus impactos na coletividade, além da observação acerca do papel da educação nesse processo. É relevante abordar que, em consonância com Auguste Comte, as ideias não poderiam ser estudadas se não a partir de suas construções histórias. Sob essa óptica, a compreensão de trabalho, em um determinado período, é sempre contemporânea à produção sociocultural e tecnológica do recor-te historiográfico observado e tende a revindicar o ajustamento do indivíduo aos meios de formulação do capital pertencentes ao seu tempo. À exemplo disso, durante o processo de industrialização europeia, ocorrido século XVIII, a transição da manufatura para um sistema fabril mecanizado ocasionou reformas profundas na realidade do trabalhador, exigindo desse uma adaptação ao novo sistema implantando e, caso essa adaptação não ocorresse, esse seria excluído do exercício do labor. Diante disso, cabe ao Estado a criação de estratégias educacionais capazes de formar profissio- nais que não sejam anacrônicos à realidade do mercado de trabalho — a julgar pelos aspectos econô-micos e sociais que perpassam a problemática. Contudo, embora a BNCC já estabeleça com diretriz o ensino de tecnologias e comunicações na Era Digital, ainda são insuficientes os caminhos para a efeti-vação de alternativas pedagógicas capazes de formar, através do ensino público, cidadãos habilitados a serem incluídos nas configurações emergentes de mercado. Com isso, constata-se a necessidade por políticas estatais que rearticulem e adaptem as instituições escolares para as demandas no século XXI, tornando-as ambientes aptos a instruir os jovens, potencias profissionais, aos desafios do tempo vislumbrado.
Portanto, urge a realização de medidas para a remediação da problemática. Para tanto, o Ministério da Educação, em ação intersetorial como as Secretarias de Educação Estaduais, pode incentivar, nas mais diversas frentes políticas e acadêmicas — especialmente nas áreas das Ciências Humanas, Pedagógicas, Informacionais e Econômicas —, o desenvolvimento de projetos e pesquisas qualitativas que objetivem elaborar alternativas de adaptação das estratégias didático-pedagógicas à Era Digital, visando, assim, a elaboração de políticas públicas que garantam a democratização do acesso à habi-lidades e competências fundamentais as profissões do futuro, visando, assim, possibilitar a inclusão de parcela significativa da população na nova economia que tende a surgir.