Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 26/07/2020

Novas demandas, velhos modelos

Nos últimos cem anos, a sociedade tem assistido a uma série de transformações no mundo do trabalho. Se, nos anos 1920, a fabricação de bens era padronizada na linha de montagem, a partir da década de 1970, o Fordismo cedeu lugar ao Toyotismo, com a flexibilização do consumo e da produção. Já perto da virada do século, viria a Revolução das Tecnologias de Comunicação e Informação, exigindo novas competências e habilidades por parte do trabalhador. Porém, em um país tão desigual e com problemas na educação, como o Brasil, a sociedade estaria mesmo preparada para formar profissionais capazes de fazer frente às novas demandas?

Em primeiro lugar, cabe ressaltar que o acesso à internet no país não é universal. Prova disso foi a suspensão do calendário acadêmico de diversas universidades públicas durante da pandemia de Covid-19, diante da impossibilidade de se garantir a todos os alunos o ensino a distância. Dessa forma, há uma multidão de cidadãos despreparados para atender as exigências do mercado de trabalho atual, altamente informatizado, já que não possuem os instrumentos mínimos para desenvolverem as habilidades requeridas: um computador e uma boa conexão à internet.

Além disso, o modelo de ensino está anacrônico. A maior parte dos cursos universitários no país ainda se centra na figura do professor como detentor do conhecimento. Em vez disso, o ideal seria oferecer mais espaço a propostas de aprendizado ativo, que coloquem o aluno como protagonista de seu próprio processo de produção de conhecimento.

Torna-se evidente, portanto, que para formar profissionais do futuro é preciso modificar a educação do presente. Diante disso, o Ministério da Educação deveria propor ao Congresso Nacional uma lei de apoio à educação superior por meio de incentivos fiscais. Os recursos se destinariam à construção de infocentros e ao custeio de cursos de capacitação docente. Assim, talvez, os profissionais brasileiros possam adquirir as competências necessárias para os desafios do século XXI.