Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 17/08/2020
Certa feita, ao palestrar sobre estratégias de mercado, Steve Jobs disse que procurava “criar no consumidor uma necessidade que, até então, ele não sabia que possuía.” Em convergência à declaração do então Presidente da Apple, o mercado se move no intento de responder às necessidades humanas que surgem e se modificam constantemente. Assim, profissões deixam de existir e novas vão surgindo, exigindo habilidades e competências igualmente novas. Desse modo, compreender, prever e interpretar essas tendências disruptivas será o maior desafio da nossa sociedade cada vez mais tecnológica e de todos os agentes do mundo do trabalho.
É notório que o mercado de trabalho tem sofrido mudanças cada vez mais velozes, fruto da revolução tecnológica ora em curso. Um estudo do Fórum Mundial do Trabalho prevê o surgimento de dezenas de novas profissões, como gestor de tráfico em redes sociais, engenheiro mecatrônico, e diversas outras. Em comum, além da presença da tecnologia, são funções que demandam competências bastante diversas da realidade mecanicista da Revolução Industrial e do Fordismo, outrora em alta: criatividade, versatilidade, liderança e outras habilidades que prescindem da interação e dinâmica humanas, mais difíceis de serem substituídas por uma máquina ou algoritmo.
Todavia, além da geração de profissionais capacitados para alimentar esse novo mercado, a sociedade precisa se preocupar também com os profissionais que já estão inseridos, afinal, a tendência é que muitas profissões existentes sejam “atropeladas” pela chamada Nova Revolução Industrial. É preciso fornecer meios para que para que estes trabalhadores também possam ser competitivos e não se tornem dispensáveis ou até mesmo, “obsoletos”. De outra forma, o desemprego gerado superará em muito a demanda das “profissões do futuro”, que em sua maioria já trazem como premissa o ganho de eficiência às empresas: fazer mais, com menos postos de trabalho.
Portanto, se não compreendidas e previstas, essas novas tendências fatalmente resultarão no aumento do abismo social, principalmente em países sub-desenvolvidos como o Brasil, que ainda possuem uma carência muito grande de mão de obra capacitada. Nesse sentido, deve o Poder Público buscar meios de capacitar profissionais para esses novos desafios, principalmente em conjunto com a iniciativa privada, criando cursos técnicos e oficinas de capacitação de acordo com a demanda das empresas. Ato contínuo, o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Educação precisa atualizar as grades curriculares das universidades públicas, desburocratizando esse processo, que ainda se encontra muito “engessado”. Dessa forma, se conseguiria não só uma manobrabilidade maior frente às exigências do mercado, como também se garantiria a inclusão e de todos.