Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 13/08/2020
Durante o século XX, o movimento vanguardista futurista mostrava uma sociedade em que a velocidade e a inovação tecnológica eram caraterísticas marcantes para seu desenvolvimento. Nesse aspecto, hodiernamente, as transformações promovidas pelo advento da internet revolucionaram o mercado de trabalho e mostraram indícios de novas habilidades e competências para as profissões do futuro. No entanto, esse fenômeno ainda se encontra restrito a uma pequena elite. Assim, convém analisar as principais causas econômicas e educacionais, bem como apontar medidas para democratizar o acesso a esses empregos.''
Em primeiro lugar, a desigualdade econômica é um fator primordial para limitar a presença de profissionais de mais baixa renda no futuro mercado de trabalho, esse, dependente, ultimamente, da tecnologia. Sob esse viés, Klaus Schwab, no seu livro “A Quarta Revolução Industrial” mostrou que no futuro, empregos relacionados ao âmbito tecnológico serão comuns, porém mais limitados àqueles com maior capital financeiro. Esse fenômeno ocorre pois, a qualificação para esse tipo de trabalho requer uma especialização específica, que geralmente apresenta elevado preço e, infelizmente, não acessível a todos. Logo, é inaceitável que um Estado democrático de direito como o Brasil - que supostamente garante o direito ao emprego - ainda não apresente ações definitivas para evitar que, daqui a alguns anos, a população mais pobre seja inserida nessa nova dinâmica.
Além disso, cabe ressaltar que o desenvolvimento dessas habilidades e competências são prejudicadas, uma vez que no Brasil, existe um forte problema educacional. Nesse sentido, convém destacar o pensamento de Pierre Bouardieu, ao afirmar que, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em opressão. Nesse caso, o pensamento do autor se faz pertinente ao tema, uma vez que uma baixa educação do trabalhador, geralmente, limita-os a empregos menos remunerados e qualificados, o que, lamentavelmente, é fruto da distorção apresentada pelo autor. Por conseguinte, é inadmissível que diante da alta carga tributária existente no país, ainda não tenha se conseguido fornecer um ensino de melhor qualidade ao proletariado brasileiro, de forma a melhor prepará-lo para as competências exigidas no futuro.
Portanto, diante das dificuldades em alcançar as habilidades e competências exigidas para o futuro, medidas devem ser tomadas. Sendo assim, cabe ao governo federal, por intermédio de um acordo com o Congresso Nacional, criar um programa nacional, para os mais pobres, que qualifique o trabalhador para que ele seja capaz de administrar, com clareza, a tecnologia. A partir disso, busca-se possibilitar uma maior inclusão dos menos favorecidos socioeconomicamente no futuro mercado de trabalho.